Por que aumentar a alocação no Tesouro IPCA+, segundo a Monte Bravo

Compartilhar:


O cenário de “cachinhos dourados” que embalou os mercados no fim de 2025 – com inflação global caindo e crescimento resiliente – parece ter ficado no retrovisor. O recente choque na oferta de petróleo, impulsionado pelos conflitos no Oriente Médio, trouxe de volta o fantasma da estagflação: um ambiente de inflação pressionada e baixo (ou nenhum) crescimento econômico. Diante desse cenário, a alocação em títulos do Tesouro IPCA+ com vencimento intermediário ganham protagonismo. 

É o que pensa Guilherme Loureiro, CIO da Monte Bravo. Para ele, o juro real oferece assimetria positiva para quem busca proteger e multiplicar seu patrimônio. 

Tesouro IPCA+ em destaque

Diante das incertezas globais e domésticas, a equipe da Monte Bravo montou uma estratégia defensiva, mas pronta para capturar ganhos. A principal aposta hoje está nas NTN-Bs – títulos do Tesouro IPCA+ –, que chegam a representar 35% do portfólio recomendado na casa, podendo encostar nos 40% após o estresse recente da curva.

A tese é baseada numa assimetria de risco favorável às NTN-Bs, na visão da Monte Bravo. Com o Banco Central brasileiro ainda em ciclo de corte da Selic, mas a inflação implícita subindo devido ao risco do petróleo e fiscal, abre-se um espaço para ganhos reais.

“No cenário ruim, em que a inflação dispara, a NTN-B te protege. No cenário bom (em que a crise passa e a curva fecha), você pode ter ganhos equivalentes a retorno de Bolsa”, explica Loureiro. A equipe não aposta nos papéis superlongos (como o Tesouro IPCA+ 2045) ou nos muito curtos, focando no chamado “miolo” da curva — títulos com prazo entre 5 e 10 anos.

“Se você alonga muito, fica muito exposto ao ‘play‘ estrutural do país: se o Brasil vai dar certo ou errado. Nos vértices intermediários, se houver um salto de inflação por problema fiscal ou pela guerra, o papel te protege e não te expõe à volatilidade extrema das pontas longas”, conclui o CIO.

Continua depois da publicidade

A estratégia ainda inclui uma forte posição de caixa – títulos pós-fixados e de alta liquidez, como o Tesouro Selic –, de cerca de 45%. A ideia é “deixar o cliente pronto para comprar o que está barato”, o que funcionou na turbulência de março, segundo Loureiro.

Choque do petróleo e retorno da estagflação

Até março deste ano, a inflação nas economias desenvolvidas dava sinais de arrefecimento. Loureiro lembra que a inflação americana animava o mercado, junto a perspectiva de um retorno a taxas de juros neutras mais baixas. “Era um cenário muito positivo, tínhamos equity e bonds performando bem, dólar fraco e commodities subindo”, resume o CIO.

Mas o salto do petróleo mudou a equação. “O que aconteceu em março foi um choque de oferta clássico. Quando a gente começou a ver o petróleo testar  US$ 110, US$ 115, o mercado reagiu: ‘se ficar nesse patamar, a inflação volta a subir, mas a renda das famílias está apertada, então o consumo vai sofrer. O risco começa a pivotar para a desaceleração (econômica)”.

Se o conflito no Oriente Médio se arrastar, Loureiro alerta que o barril de petróleo pode saltar para a faixa de U$S 125 a US$ 150, consolidando o cenário estagflacionário. “Esse é o tipo de ambiente que não tem como se proteger com ativos de risco; você tem que ter mais caixa ou buscar proteções específicas”.

Nesse contexto, o Brasil possui vantagens estruturais: é um exportador de commodities e está geograficamente isolado do conflito. Ainda assim, o CIO da Monte Bravo adota cautela em relação à possibilida de uma enxurrada de capital estrangeiro para o Brasil. “O gringo pensa em ciclo. Em um cenário de recessão, quem exporta commodity e paga juros altos fica bem. Mas, num primeiro momento, prevalece a aversão a risco (o que gera saídas de capital)”.

Internamente, o ruído fiscal continua o investidor de tomar mais risco. “O cobertor (fiscal) está ficando curto. A dívida subiu muito e gerar um déficit nominal menor esbarra no fato de que a carga tributária já está no limite. O mercado está atento a isso”.



FonteAgência Brasil

Artigos relacionados

Entre o processo e o tambor: a defesa silenciosa de uma tradição

Há processos que não cabem apenas no número que recebem. O Processo TCE-MG nº 1066833, formalmente uma Tomada...

Domingo ganha novos ares no 300 Sky Bar com música, gastronomia e vista para São Paulo

Nem todo domingo precisa terminar cedo. Em uma cidade que parece sempre encontrar motivos para permanecer acordada, o...

Miramar Mangabeira celebra a plenitude feminina em show especial no teatro Brigitte Blair

A cantora Miramar Mangabeira apresenta, no dia 29 de agosto, às 20h, no Teatro Brigitte Blair, um espetáculo...

Primeiro você vende pelos olhos, depois pela experiência!

Existe uma frase bastante repetida no marketing e no mundo dos negócios: “a primeira impressão é a que...