A empresa de criptomoedas dos filhos do presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu aprovação condicional de um órgão regulador do país para obter uma licença bancária, reforçando as credenciais da World Liberty Financial (WLF) enquanto busca expandir suas operações com stablecoins.
O OCC (Escritório do Controlador da Moeda, na sigla em inglês) informou na sexta-feira (14) que os planos de negócios da empresa incluem a emissão de stablecoins lastreadas em dólar e a prestação de serviços de custódia de ativos digitais. A WLF não terá autorização para conceder empréstimos nem receber depósitos diretamente.
A aprovação ocorre em um momento em que os interesses empresariais de Trump no setor de criptomoedas se tornam um importante foco de questionamento polítici. Os democratas vêm pressionando pela inclusão de uma “cláusula de ética” em um projeto de lei histórico sobre a estrutura do mercado de criptoativos, que impediria altos funcionários do governo de se beneficiarem do setor enquanto estiverem no cargo. Especialistas em regulamentação esperam que a questão volte a ser alvo de intenso escrutínio quando o Congresso retornar do recesso no outono do hemisfério Norte (primavera no Brasil).
A senadora democrata Elizabeth Warren descreveu a aprovação no X como um “ato descarado de favorecimento próprio” por parte do governo Trump.
O presidente dos EUA obteve mais de US$ 1,16 bilhão em vendas de criptoativos e royalties de memecoins no ano passado, após assumir o cargo no Executivo, segundo uma declaração financeira divulgada em junho.
A WLF é um dos vários projetos de criptomoedas ligados ao presidente dos Estados Unidos e à sua família, que aderiram aos ativos digitais. O empreendimento foi criado no fim de 2024 pelos três filhos de Trump e pelos filhos de Steve Witkoff, enviado especial de Trump para negociações de paz. Trump é presidente emérito da WLF.
Durante o segundo governo Trump, os reguladores financeiros têm procurado permitir a entrada de mais participantes no setor bancário regulamentado e incentivado empresas, inclusive do setor de criptomoedas, a solicitar licenças.
“O OCC voltou a estar aberto para negócios. Somente em 2025, a agência recebeu o mesmo número de pedidos que nos quatro anos anteriores”, afirmou Jonathan Gould, chefe do OCC, em junho. Trump também sancionou, em julho do ano passado, a chamada Lei Genius, que regulamenta as stablecoins.
Para operar como instituição fiduciária, a WLF terá de cumprir diversas condições, incluindo limitar suas operações àquelas definidas no plano de negócios apresentado aos reguladores e atender aos requisitos de capital e liquidez.
A empresa ainda não havia indicado um diretor financeiro quando apresentou seu pedido, em janeiro, mas posteriormente nomeou para o cargo Daniel Dietzel, ex-diretor financeiro da corretora institucional Hidden Road.
O OCC concedeu aprovação condicional à fintech de crédito Upstart no mês passado e já havia dado sinal verde semelhante a uma subsidiária do Morgan Stanley, ao banco Erebor, apoiado por Peter Thiel, e às empresas de criptomoedas Ripple e Crypto.com.
Embora tenha incentivado empresas a solicitar licenças, o órgão regulador negou dois pedidos: o da empresa britânica de pagamentos internacionais Wise e o do banco digital holandês Bunq.
“O que torna uma stablecoin confiável é a solidez da reserva que a sustenta e quem se responsabiliza por ela”, afirmou Zach Witkoff, presidente e presidente do conselho da empresa fiduciária da WLF.
“Um banco fiduciário nacional reúne a emissão, a custódia e a gestão das reservas do USD1 sob a supervisão do OCC, sendo fiscalizado de acordo com os mesmos padrões que regem os bancos há gerações”, disse ele.
O USD1 é um token de criptomoeda criado para acompanhar o valor do dólar dos Estados Unidos. Mais de US$ 4 bilhões do token já estão em circulação.
Fonte UOL