O próprio Brasil, que costumava participar timidamente do evento, desta vez desembarcou em Ulaanbaatar com uma delegação recorde de cerca de 100 pessoas, incluindo representantes do Ministério da Agricultura. As áreas de clima semiárido aumentaram, em média, cerca de 75 mil km² por década no país, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O processo de aridez é mais avançado na Caatinga e em partes do Cerrado.
“Me parece que alguns setores e países passam a olhar para essa conferência com um olhar um pouco mais de atenção, porque sabem que, se a gente seguir nessa rota de perda da capacidade produtiva, avançando na degradação da terra e no processo de desertificação, também haverá um prejuízo do ponto de vista das economias globais, da segurança alimentar, da disponibilidade de água”, constata Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Ameaça de retrocesso
Com grandes áreas ameaçadas pelos efeitos da seca, os Estados Unidos participam da conferência. Trata-se da única das três grandes convenções ambientais da ONU da qual Washington não se retirou. No entanto, os americanos mantêm uma postura de bloqueio que ameaça uma das principais expectativas do evento na Mongólia: adotar um marco global para o enfrentamento da seca, a exemplo dos que existem para as mudanças climáticas e a biodiversidade.
“Tem um contexto geopolítico que está alterando as decisões do multilateralismo de um modo geral. Eu tenho muita dúvida se nós vamos conseguir construir um instrumento vinculante”, lamenta Pires. “A diplomacia do Brasil segue com o cuidado de não perder aquilo que nós já avançamos na COP16, em Riad, na Arábia Saudita. O que nós estamos buscando é não retroceder ao que já foi decidido pelas partes.”
A discussão sobre o financiamento das medidas de combate à desertificação, em especial nos países pobres, é um dos principais focos de atrito nas negociações. Enquanto as nações africanas têm pressa por soluções, as desenvolvidas alegam que já disponibilizam bilhões em recursos para a descarbonização das economias.
Fonte UOL