Ataques do Irã e EUA voltam a pressionar preço do petróleo

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Navios parados no Estreito de Ormuz devido à Guerra no Irã
Navios parados no Estreito de Ormuz (foto de Wen Xinnian, Xinhua)

Forças dos EUA lançaram ataques contra o Irã nesta terça-feira, após vários navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz terem sido atacados, informou o Comando Central dos Estados Unidos.

Os EUA “começaram a lançar uma série de ataques poderosos contra o Irã para impor custos elevados por terem visado e atacado embarcações comerciais tripuladas por civis inocentes em uma via navegável internacional”, afirmou o comando em uma publicação na rede social X.

Mais cedo, a agência de notícias semioficial iraniana Fars informou que a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) interceptou dois navios-tanque que tentavam atravessar o estreito por uma rota em Omã apoiada pelos EUA, na noite de segunda-feira, após eles ignorarem advertências.

Diversos veículos de imprensa identificaram as duas embarcações como um navio-tanque de gás natural liquefeito do Catar e um navio-tanque de petróleo bruto com bandeira da Arábia Saudita; ambos teriam sofrido avarias.

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Na noite de terça-feira (horário de Teerã), a agência de notícias oficial do Irã, Irna, informou que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, instou os países da região e as empresas de transporte marítimo a se absterem de quaisquer ações que contradigam o memorando de entendimento de paz entre o Irã e os EUA, assinado recentemente.

A economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, comentou sobre a reescalada do preço do petróleo, decorrente do aumento das tensões entre EUA e Irã: “O petróleo tipo Brent volta a apresentar alta de quase 5% com o aumento das tensões entre EUA e Irã devido a novos ataques sofrido por embarcações que atravessavam o estreito de Ormuz. O limite dos agentes de mercado para o acordo, que já se sabia frágil, está sendo testado com o avanço do prêmio de risco.”

Com a ocorrência desses ataques, o Departamento do Tesouro dos EUA revogou uma isenção que permitia a venda de petróleo iraniano, o que coloca em risco o avanço das negociações em curso.

“Até então os eventos de ataque não estavam sendo precificados pelo mercado, mas a notícia de suspensão pelos EUA ganha uma conotação diferente e pode trazer uma nova volatilidade para o mercado de petróleo”, explicou Araújo.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, comentou sobre a alta do dólar. “O dólar ganha força ante o real, puxado pela valorização da moeda americana lá fora e pela subida dos juros longos dos Treasuries. O mercado voltou a enxergar chances de o Fed apertar os juros ainda em dezembro.”

Kayo cita que a retomada de ataques no Estreito de Ormuz trouxe de volta a aversão a risco, tirou fôlego das moedas emergentes e jogou o petróleo para cima.

“Aqui dentro, o real soma pressão depois de três sessões seguidas de valorização, num momento em que o mercado acompanha com desconfiança o segundo dia de audiência do USTR sobre práticas comerciais do Brasil, na Seção 301. O conflito entre EUA e Irã já se arrasta há meses sem sinal de solução, e essa indefinição segue sustentando a busca por proteção e reduzindo o espaço para cortes de juros americanos. A ata do Fed sai amanhã [quarta-feira] e deve trazer pistas sobre os próximos passos”, concluiu.

O dólar acabou fechando com alta modesta, de 0,39%, cotado a R$ 5,152.

Com informações da Agência Xinhua

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Fonte Monitor Mercantil

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