A Primero, startup focada na transformação por meio de inteligência artificial de grandes corporações latino-americanas, anuncia uma rodada de investimento Seed de R$ 62 milhões (US$ 12 milhões), uma das maiores da história do setor na América Latina. O investimento permitirá à Primero expandir suas operações e continuar ajudando empresas a aumentar sua rentabilidade por meio da modernização de suas operações.
A Kaszek, um dos primeiros fundos a investir no Nubank, co-liderou a rodada ao lado da General Catalyst, com participação de Definition, Conviction, 8VC e investidores-anjo que incluem acionistas e executivos da FEMSA, Bimbo, Aeroméxico e Kimberly-Clark de México. A companhia já trabalha com organizações como Kimberly-Clark de México, Smart Fit, Verde Valle, Sede Café e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Cidade do México (Sedeco).
Entre esses clientes está a operação mexicana da Smart Fit, companhia brasileira e uma das maiores redes de academias da América Latina. A Primero avalia, no futuro, expandir essa parceria também para o Brasil.
A confiança desses investidores e clientes está ancorada em um produto com uma proposta de valor clara. Seu principal produto, Primia, resolve um problema central das grandes organizações. Dados críticos estão dispersos em sistemas que nunca foram projetados para trabalhar juntos, como ERPs, CRMs, plataformas financeiras e sistemas de gestão de armazéns. Globalmente, as organizações administram, em média, 957 aplicações diferentes, mas apenas 27% estão conectadas entre si, segundo o MuleSoft 2026 Connectivity Benchmark Report.
A fragmentação desses sistemas representa um dos desafios para que empresas consigam ampliar o uso de inteligência artificial em suas operações. No Brasil, essa transformação ganha relevância pelo próprio tamanho do mercado: de acordo com a pesquisa O Impacto da Inteligência Artificial na Economia Brasileira, produzida pelo Reglab, a inteligência artificial tem potencial para injetar R$ 986,7 bilhões na economia brasileira até 2030.
O custo dessa fragmentação já pode ser observado na prática. Em um cliente atual do setor de bens de consumo, as deduções de varejo estavam dispersas entre ERP, WMS, plataformas externas e softwares contábeis. Hoje, a Primia permite identificar mais de US$ 10 milhões em deduções incorretas que se perdiam quando os processos eram realizados manualmente.
A Primia conecta sistemas fragmentados em uma camada unificada de inteligência que oferece à IA uma compreensão completa de como a organização funciona. O diferencial da plataforma é não apenas conectar sistemas, mas também codificar as regras e a lógica do negócio para que a inteligência artificial possa operar com todo o contexto necessário.
Sobre essa base operam agentes que automatizam processos complexos de forma controlada e auditável, sem que a empresa perca visibilidade sobre cada decisão. Em um cliente do setor de construção, por exemplo, a Primia automatiza 85% de um processo que antes exigia revisão manual item por item, deixando apenas 15% para revisão humana.
A plataforma é implementada módulo por módulo, com engenheiros que trabalham lado a lado com as equipes dos clientes e compreendem seu contexto, idioma e cultura organizacional. A cada módulo, a Primia acumula mais conhecimento sobre a organização, permitindo que a IA compreenda, raciocine, tome decisões e as execute dentro da empresa. Atualmente, a tecnologia opera em organizações de setores como serviços financeiros, manufatura, varejo, logística, construção e saúde, entre outros.
“As empresas mais competitivas do mundo podem ser construídas a partir da América Latina. A região tem empresas de escala global que estão no coração dessa economia, e a IA é a oportunidade que elas têm para dar um salto sem precedentes em competitividade. Se a Verde Valle exportar mais, se a Kimberly-Clark de México tomar decisões melhores e mais rápidas, se as grandes empresas desta região se tornarem mais eficientes graças à IA, essa será a melhor prova do que fazemos”, afirma José Murillo, co-CEO da Primero.
A Primero foi fundada por José Murillo, Andrés Rosales e Santiago Buenahora, formados em Harvard e na Universidade da Pensilvânia e com experiência em empresas como Meta, 8VC e Robinhood. Os executivos retornaram à América Latina para construir a companhia. Grande parte da equipe seguiu uma trajetória semelhante, com formação em instituições dos Estados Unidos como Stanford, Wharton e Harvard Business School e experiência em companhias globais como Google, Meta e Uber. Aproximadamente metade dos engenheiros da Primero participou de olimpíadas internacionais de matemática ou informática.
“José, Andrés e Santi combinam uma grande ambição técnica com uma compreensão pouco comum sobre como construir empresas duradouras na América Latina”, afirma Alex Tran, Managing Director da General Catalyst. “À medida que as empresas da região adotam a IA, a Primero está construindo a infraestrutura fundamental que tornará essa transformação possível.”
Fonte Startupi