O custo de estar certo

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Existe uma diferença importante entre estar errado e estar desatualizado.

A maioria das organizações sabe lidar com o primeiro caso.

Quando algo falha, os sinais aparecem.

Os resultados pioram.
Os indicadores reagem.
O mercado responde.

O erro se torna visível.

Muito mais difícil é reconhecer quando uma ideia continua funcionando, mas já não explica o futuro com a mesma precisão que explicava o passado.

Porque o sucesso produz uma consequência curiosa:

ele valida premissas.

E premissas validadas tendem a ganhar status de verdade.

O que começou como uma boa decisão se transforma em modelo.

O modelo se transforma em prática.

A prática se transforma em convicção.

E, aos poucos, aquilo que deveria continuar sendo questionado passa a ser protegido.

Esse é um dos paradoxos mais sofisticados da liderança.

Fracassos costumam estimular reflexão.

Sucessos frequentemente estimulam repetição.

Não por falta de inteligência.

Mas porque existe uma lógica intuitiva em confiar naquilo que já produziu resultado.

Afinal, foi exatamente esse conhecimento que trouxe a organização até aqui.

O problema é que mercados mudam.

Tecnologias mudam.

Clientes mudam.

E a velocidade dessas transformações raramente pede autorização ao histórico de acertos de uma empresa.

É nesse ponto que surge um risco pouco percebido.

O maior concorrente de uma nova ideia nem sempre é uma ideia ruim.

Muitas vezes, é uma ideia antiga que continua parecendo boa.

O Executivo Nexialista compreende essa tensão.

Valoriza a experiência.

Respeita o repertório.

Reconhece a importância dos modelos que construíram resultados.

Mas evita transformá-los em dogma.

Porque entende que conhecimento é ativo.

Mas também pode se tornar âncora.

E âncoras possuem uma característica peculiar:

não impedem o movimento.

Impedem a travessia.

Talvez por isso algumas das decisões mais difíceis da liderança não envolvam escolher entre certo e errado.

Envolvam escolher entre aquilo que continua funcionando hoje e aquilo que será necessário amanhã.

Nem sempre existe uma ruptura clara entre os dois.

Frequentemente existe apenas um desconforto sutil.

Uma percepção de que o contexto mudou mais rápido do que nossas convicções.

E que o próximo salto exige algo além da experiência acumulada.

Exige desapego intelectual.

Há ideias que fracassam porque estavam erradas.

Outras fracassam porque permaneceram certas por tempo demais.

Leandro Pereira
Leandro Pereira
Leandro Pereira é executivo de Gestão e Transformação Digital, com mais de 15 anos de experiência liderando iniciativas estratégicas que conectam tecnologia, dados e performance de negócios. É engenheiro de Automação, com MBA em Gestão de Negócios, Fusões e Aquisições e Gestão de Projetos, e atualmente cursa formação executiva em CAIO (Chief Artificial Intelligence Officer) pela University of Maryland. Atua em contextos de alta complexidade, como pós-M&A, excelência comercial, inteligência de mercado e transformação organizacional, sempre com foco em resultados mensuráveis. Ao longo da carreira, construiu e escalou modelos de gestão, estruturas de BI, plataformas digitais e soluções baseadas em Inteligência Artificial aplicadas à tomada de decisão, produtividade e crescimento sustentável. Reconhecido por integrar pessoas, processos e tecnologia, Leandro defende que a inovação só faz sentido quando resolve problemas concretos e melhora a performance do negócio, princípio que orienta sua trajetória como líder e agente de mudança.

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