Acionistas do BRB aprovam proposta que abre caminho para aporte de até R$ 8,86 bilhões

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BRASÍLIA — Os acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram a proposta de aumento de capital que permitirá um aporte de até R$ 8,86 bilhões na instituição para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master.

O Conselho de Administração do Banco de Brasília (BRB) aprovou a proposta de aumento de capital que permitirá um aporte de até R$ 8,86 bilhões na instituição para cobrir o rombo deixado pelo Banco Master.  Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A reunião ocorreu na manhã desta quarta-feira, 22. A proposta aprovada autoriza o BRB a aumentar o capital para receber uma injeção de recursos novos do controlador, que é o governo do Distrito Federal.

O rombo deixado pelo Master no Banco de Brasília é calculado em R$ 8,8 bilhões. Segundo fontes do banco estatal, se o governo injetar R$ 6,6 bilhões, o valor já é suficiente para manter a instituição funcionando e cumprir o Índice de Basileia — uma espécie de saúde financeira dos bancos exigida pelo Banco Central.

O governo do DF, no entanto, não comunicou como fará esse aporte. A gestão distrital está sem dinheiro em caixa e busca alternativas para levantar o dinheiro. O governo pediu um empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e tenta se financiar com outros bancos, mas não recebeu retorno positivo até o momento.

Outras opções entraram no radar, como uma operação de securitização da dívida do Distrito Federal, que levaria o governo a vender parte da dívida no mercado e antecipar os valores que tem para receber de credores, e um pedido de socorro ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se recusa a participar do socorro no momento. O governo do DF não tem nota de crédito suficiente para receber ajuda financeira da União.

Na noite de segunda-feira, 20, o BRB comunicou ao mercado financeiro que assinou um acordo com a gestora Quadra Capital para vender R$ 15 bilhões em ativos que eram do Banco Master e que ainda estão no balanço do BRB. Esses ativos estão se desvalorizando e estavam contribuindo para o derretimento do banco. O BRB deve ter um alívio na liquidez, se efetivar a venda da carteira, mas ainda precisará do aporte para resolver o rombo no patrimônio.

Durante a reunião de acionistas, o representante da Associação Nacional dos Empregados Ativos e Aposentados do Banco de Brasília (ANEABRB), Luiz Fernando Martins, defendeu uma mudança na forma de aporte pelo Distrito Federal e pediu a suspensão da deliberação.

Segundo a proposta da associação, a capitalização não seria feita por meio de subscrição privada de ações, como propôs a cúpula do banco, mas mas com um aporte via reserva de capital. Na prática, a mudança faria com que os recursos ficassem uma reserva do patrimônio do BRB sem diluir a participação acionária de outros acionistas, como a própria ANEABRB.

O representante criticou a ausência de balanço auditado do BRB de 2025, a falta de memória de cálculo e laudo independente do preço de emissão das ações e falta de análise do uso de imóveis públicos no plano de socorro ao banco. Para ele, a venda de ativos do Master por R$ 15 bilhões agravaria ainda mais a situação, pois o valor das irregularidades seria superior a R$ 20 bilhões.

“Não há como se deliberar o aumento de capital sem saber o valor do prejuízo, sem saber o valor que vai ser necessário, sem ter números auditados”, afirmou. A proposta não foi deliberada e o conselho acabou aprovando o plano original.



Fonte ONU

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