Dias de regulação zero da IA acabaram, diz historiador

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Artur Wichmann, CIO da XP Inc., e o historiador britânico Niall Ferguson, que falou sobre IA e geopolítica na Expert XP
Artur Wichmann e Niall Ferguson (foto divulgação de Paulo Bareta, Expert XP)

A inteligência artificial (IA) tornou-se um ativo estratégico para a segurança nacional e deixou de ser apenas um tema tecnológico. O historiador Niall Ferguson afirmou que os Estados Unidos abandonaram a ideia de uma regulação mínima para o setor e passaram a enxergar os modelos mais avançados como uma questão estratégica.

Ao mesmo tempo, alertou para a aceleração da competição com a China e para o avanço dos modelos chineses de código aberto.

“Os dias da regulação zero para a inteligência artificial acabaram”, disse. Segundo ele, empresas e governos terão de decidir como incorporar a tecnologia e qual ecossistema pretendem adotar. “Toda empresa, inclusive no Brasil, terá de decidir como incorporar IA ao seu negócio e se seguirá o caminho americano ou o chinês.”

As declarações foram feitas nesta quinta-feira durante painel na Expert XP 2026, ao lado do CIO da XP Inc., Artur Wichmann.

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O historiador britânico também avaliou que a soberania digital dependerá cada vez mais da capacidade de desenvolver infraestrutura própria. “Não é possível ter soberania digital sem provedores próprios de nuvem, fabricantes de semicondutores e modelos próprios de linguagem. No fim das contas, teremos um mundo da inteligência artificial dominado por duas superpotências”, afirmou.

A disputa entre Estados Unidos e China deixou de ser apenas econômica ou comercial e passou a envolver tecnologia, inteligência artificial, soberania digital e segurança nacional.

Segundo Ferguson, embora a tecnologia transforme economias e sociedades, a competição entre grandes potências continua sendo o principal motor das relações internacionais.

“Hoje sabemos que estamos caminhando para uma segunda Guerra Fria entre duas superpotências, os Estados Unidos e a China. Essa será a relação geopolítica que definirá, pelo menos, os próximos 50 anos”, afirmou.

Para o especialista, ao contrário do que muitos analistas defendem, a história não segue ciclos previsíveis, mas se comporta como um sistema complexo, sujeito a choques inesperados, como crises financeiras, pandemias e conflitos.

Para Ferguson, o ponto de maior tensão da nova ordem global não está na guerra da Ucrânia, mas no Estreito de Taiwan. Segundo ele, a ilha concentra a produção da maior parte dos semicondutores mais avançados do mundo e qualquer interrupção nesse fluxo teria impactos imediatos sobre a economia global.

Diante desse contexto, o maior risco não seria uma invasão militar em larga escala, mas uma tentativa gradual de Pequim de assumir o controle sobre o comércio e as exportações da ilha. “Esse pode ser o momento mais perigoso da Segunda Guerra Fria”, alertou.

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Fonte Monitor Mercantil

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