3 Lições de Liderança da Ativista Ícone do Feminismo

Compartilhar:

Na quinta-feira (3), o mundo perdeu uma lenda e uma líder. Gloria Steinem, uma jornalista pioneira, autora estimada e ativista social que, ao longo de sua vida, se tornou uma das líderes mais reconhecidas do movimento feminista, morreu pacificamente em sua casa na cidade de Nova York aos 92 anos.

Até o fim, Steinem permaneceu engajada no trabalho pela igualdade: concedeu entrevistas, organizou encontros em sua casa em Manhattan e reuniu ativistas e pensadores para trocar ideias. Sua mensagem, às vezes, era bastante simples: “Me diga como posso ajudar.”

Em 22 de setembro, a Random House deve publicar seu livro de memórias final, “An Unexpected Life” (Uma Vida Inesperada), que resume uma carreira de mais de seis décadas.

Seu conjunto de obras abrangeu muitas áreas. Para muitos, Steinem atraiu atenção pela primeira vez como jornalista em 1963, quando se disfarçou para investigar as condições de trabalho das mulheres que trabalhavam como Coelhinhas da Playboy. Mais tarde, ela ajudou a lançar a revista New York e cofundou a revista Ms., antes de se tornar uma das principais vozes da segunda onda do feminismo.

Getty ImagesGloria Steinem cofundou a revista Ms. nos EUA

Steinem também ajudou a estabelecer e cofundar o National Women’s Political Caucus, a Ms. Foundation for Women e o Women’s Media Center. Ela também criou o Voters For Choice, onde defendeu a Emenda dos Direitos Iguais, os direitos reprodutivos, a igualdade racial e uma maior representação das mulheres na política e na mídia.

Em 2013, o então presidente dos Estados Unidos Barack Obama concedeu a Steinem a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil do país. Ela foi introduzida no Hall da Fama Nacional das Mulheres e, em 2021, recebeu o Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades, da Espanha.

A seguir, veja 3 lições de liderança de Gloria Steinem

Além do movimento que ela construiu, das histórias que contou e das vidas que inspirou, o estilo de liderança de Gloria Steinem oferece lições que seguem relevantes ainda hoje.

1. A liderança começa com a escuta

“Quero fazer justiça às mulheres que conheço, contar suas histórias”, explicou Steinem certa vez. “Não podemos empoderar as mulheres sem ouvir suas histórias.”

Em uma era em que a liderança está cada vez mais associada à visibilidade, aqueles no topo devem ouvir tanto quanto falam. Steinem tornou-se famosa por sua voz, mas grande parte de sua influência veio de escutar. Ela viajou, fez reportagens e criou plataformas para que outros contassem suas histórias.

Essa distinção é importante para os executivos de hoje. Liderança não se trata mais apenas de ter a voz mais alta na sala. Às vezes, a pessoa mais influente é aquela que compreende a experiência de todos os outros.

Paris Hilton, Gloria Steinem e Amanda Nguyen celebram o Dia Internacional da Mulher na Bolsa de Valores de Nova York
Getty ImagesParis Hilton, Gloria Steinem e Amanda Nguyen celebram o Dia Internacional da Mulher na Bolsa de Valores de Nova York

2. Não apenas participe da conversa; construa a plataforma

Steinem não apenas argumentou que a grande mídia precisava representar melhor as mulheres. Ela ajudou a construir uma nova mídia. Quando a revista Ms. foi lançada em 1971, era um folheto inserido na revista New York. No ano seguinte, se tornaria uma publicação independente. Na época, as revistas femininas eram amplamente dominadas por coberturas sobre beleza, casamento e tarefas domésticas.

A Ms. assumiu uma posição diferente ao abordar temas mais progressistas, entre eles a desigualdade no ambiente de trabalho, violência doméstica, direitos reprodutivos, racismo e assédio sexual. A lição? Quando as instituições existentes não oferecem espaço suficiente para uma ideia, às vezes a resposta não é lutar indefinidamente por um lugar na mesa de outra pessoa. É construir outra mesa.

Os líderes de hoje têm mais oportunidades do que nunca para fazer exatamente isso. Podcasts, newsletters, mídias sociais e comunidades digitais permitem que executivos e empreendedores construam públicos sem esperar sentados.

Steinem entendia isso, e agiu a respeito. A propriedade de uma plataforma pode transformar uma voz individual em influência institucional.

Coretta King e Gloria Steinem
Getty ImagesCoretta King e Gloria Steinem

3. Grandes líderes criam mais líderes

Quando perguntaram a Steinem para quem ela eventualmente “passaria a tocha”, ela rejeitou a premissa. “Não existe uma única tocha — há muitas tochas”, disse em 2015, e acrescentou que usava a sua “para acender outras tochas.”

Essa talvez seja a lição de liderança mais importante de sua vida. Liderança não é sucessão por replicação. É multiplicação.

A influência de Steinem perdurou porque ela ajudou a criar oportunidades que poderiam continuar sem ela. Em vez de se tornar indispensável, ela dedicou décadas a ajudar outras pessoas a se tornarem poderosas.

Seu livro de memórias reforça essa filosofia. “An Unexpected Life” reflete sobre uma carreira que a própria Steinem diz que nunca poderia ter planejado completamente. “Temos a ideia de que nossas vidas são planejadas para valerem a pena”, ela disse no início deste ano. Mas argumentou que a habilidade de responder e aprender com o inesperado pode, em última análise, se mostrar mais valiosa.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com



FonteForbes

Artigos relacionados

Como os aplicativos estão transformando o transporte nas cidades

Tecnologia amplia as alternativas de mobilidade, aproxima passageiros e motoristas e leva o transporte por aplicativo para além...

Como os aplicativos estão transformando o transporte nas cidades

Tecnologia amplia as alternativas de mobilidade, aproxima passageiros e motoristas e leva o transporte por aplicativo para além...

Como os aplicativos estão transformando o transporte nas cidades

Tecnologia amplia as alternativas de mobilidade, aproxima passageiros e motoristas e leva o transporte por aplicativo para além...

Da Feira da Madrugada ao reconhecimento internacional: a construção da Dra. Ester Abrantes

Dra. Ester Abrantes construiu sua trajetória na odontologia a partir de uma origem humilde e hoje lidera a área clínica da Clínica Unifique, no Tatuapé, em São Paulo.