Transição energética redefine desafios econômicos na Ásia-Pacífico

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Os impactos do recente bloqueio no Estreito de Ormuz, rota responsável por 20% a 30% do transporte mundial de petróleo, gás e fertilizantes, demonstram como dependência de combustíveis fósseis gera custos para a economia global.

Além de questões logísticas e geopolíticas, o aumento do protecionismo comercial interfere na macroeconomia global, realça o estudo da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, Escap.

Timor-Leste na Região Ásia-Pacífico

A nova análise da ONU aponta caminhos que combinam custos reduzidos e retorno socioeconômico para a região. 

O Timor-Leste é classificado pela comissão como País Menos Avançado, LDC, e Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, Sids, enfrentando limitações de capacidade fiscal, institucional e tecnológica para financiar autonomamente sua infraestrutura verde. 

Além disso, o país tem uma das populações mais jovens da região. A volatilidade nos preços globais de alimentos e combustíveis atinge diretamente o poder de compra da população local e dificulta a geração de empregos formais. 

Unctad/Jan Hoffmann
Preços de minerais essenciais para a transição energética caíram de forma significativa face aos picos de 2021–2022

O estudo também destaca que países com esse perfil dependem prioritariamente de cooperação internacional, transferências diretas de tecnologia limpa e concessão de subsídios para expandir o acesso universal à energia renovável sem comprometer suas finanças públicas. 

Cenário macroeconômico 

Segundo a Escap, o crescimento das economias em desenvolvimento da Ásia e Pacífico desacelerou para 4,6% em 2025 e a projeção para esse ano é de 4%.

A inflação média deve subir de 3,5% para 4,6% em 2026, impulsionada pela alta nas commodities energéticas, fertilizantes e custos de frete. 

Os países menos desenvolvidos da região estagnaram em 3,1% em 2025, distantes da meta de 7% estipulada pela ONU.

Trajetórias da transição energética

O fechamento de indústrias fósseis sem apoio governamental provoca desemprego e migração populacional em regiões mineradoras. Em contrapartida, os empregos verdes surgem em ritmo gradual e exigem qualificações distintas. 

Instrumentos como a precificação de carbono podem elevar custos de energia no curto prazo, pressionando as taxas de juros. No entanto, se nada for feito, a longo prazo trará custos superiores. 

A Escap considera a transição energética não apenas um avanço ambiental, mas como um fator de segurança macroeconômica, estabilidade de preços e geração de empregos.

Unossc
Agricultores em Timor-Leste

Planejamento e redução de impactos sociais 

No relatório, países com pouco investimento em indústrias de carvão e petróleo conseguem expandir para fontes renováveis sem grandes riscos de ativos encalhados.

Já as economias dependentes de combustíveis fósseis enfrentam elevados custos de transição e maior complexidade de realocação profissional, necessitando planejamento e redução de impactos sociais.

O uso excessivo de subsídios estatais pode estagnar as tecnologias utilizadas pelo mercado. A Escap orienta o uso de mecanismos transparentes, neutralidade tecnológica e agilidade em licenciamentos. 



Fonte ONU

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