Mais de 3 mil imóveis de mais de R$ 1 milhão foram negociados em São Paulo no primeiro semestre de 2026. As transações se espalharam por 41 bairros da capital, mas algumas ruas concentram a maior parte delas. Em levantamento feito a pedido do Estadão, a plataforma imobiliária Loft mapeou todos os endereços com ao menos 10 transações de imóveis de alto padrão no período.
O levantamento identificou 179 ruas paulistanas com este perfil. Distritos como Jardim América, Moema, Pinheiros e Perdizes agrupam o maior número delas. “No segmento acima de R$ 1 milhão, a geografia é bem definida. Há uma concentração clara nos bairros tradicionais de alto padrão da zona oeste e da zona sul”, afirma o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi.

Rua Professor Artur Ramos se destaca pela proximidade da Avenida Faria Lima, prédios de luxo e apartamentos que foram negociados neste ano ao custo médio de R$ 13,6 milhões Foto: Felipe Rau/Estadão
A Rua Professor Artur Ramos, no Jardim Europa, teve o maior tíquete médio entre as ruas que aparecem no levantamento. Localizado nas redondezas da Avenida Faria Lima e do Clube Pinheiros, o endereço abriga prédios de alto padrão com seguranças na guarita, edifícios antigos e calçadas arborizadas. Foram 10 imóveis vendidos só neste ano na região, ao custo médio de R$ 13,6 milhões.
“Os terrenos em boas localizações estão cada vez mais escassos e formar uma área para um novo empreendimento ficou mais difícil e caro. Em muitos desses bairros já não existe praticamente terreno livre: é necessário comprar casas ou imóveis existentes para depois demolir e construir. Isso pressiona diretamente os preços”, observa Alexandre Souza Lima, CEO da Meta Incorporadora.
As ruas mais caras
O estudo mostra que 36 ruas de São Paulo tiveram pelo menos 10 transações de imóveis acima dos R$ 2 milhões. A região dos Jardins é a que abriga a maior quantidade de imóveis com este perfil. No Jardim América, oito ruas registraram 119 transações. No Jardim Paulista, três ruas foram responsáveis por 57 vendas no primeiro semestre do ano. Na sequência, aparecem Campo Belo e Vila Nova Conceição.
A segunda rua mais cara da cidade, segundo o levantamento, é a Rua Domingos Leme, na Vila Nova Conceição, com 11 transações e um ticket médio de R$ 9,7 milhões. Na terceira colocação, aparece a Rua Leopoldo Couto Magalhães Jr., no Itaim Bibi, onde o preço médio dos 27 imóveis negociados em 2026 foi R$ 9,2 milhões.
Ruas de alto padrão com mais negócios
A campeã de negociações de imóveis de alto padrão no primeiro semestre de 2026 é a Rua Alves Guimarães. Localizada em Pinheiros, a rua concentrou 63 apartamentos acima de R$ 1 milhão negociados este ano.
A localização da rua é privilegiada na cidade. Ela fica em um quadrante formado pelas avenidas Paulo VI, Dr. Arnaldo e Rebouças e a rua Henrique Schaumann. Quem mora ali pode escolher se locomover de carro a poucos minutos da Faria Lima ou da Avenida Paulista. Quem quiser usar o metrô pode escolher entre duas estações da linha 2 verde (Sumaré ou Clínicas) ou uma da linha 4 amarela (Oscar Freire).

Mais de 3 mil imóveis foram negociados em São Paulo por mais de R$ 1 milhão só no primeiro semestre deste ano. A rua com mais negócios registrados neste recorte é a Alves Guimarães, em Pinheiros Foto: Felipe Rau/Estadão
A rua é considerada um refúgio em meio ao agito do bairro de Pinheiros, hoje repleto de bares, restaurantes e vida noturna. Isso acontece porque a via não tem saída. Ela muda de nome ao final, passando a se chamar Cristiano Viana, e tem muitas casas de rua. A Alves Guimarães abriga ainda a Escada das Bailarinas, uma intervenção artística do renomado artista Eduardo Kobra. Esses foram os principais motivos para a escolha da rua para o lançamento do empreendimento Almá Pinheiros, da SKR Arquitetura Viva em parceria com a Munir Abbud.
O prédio contará com 145 unidades com tamanhos entre 85 e 150 metros quadrados e vaga de garagem. Segundo o CEO da SKR, Rodrigo Putinato, as plantas foram desenhadas para preencher lacunas de demanda na região de Pinheiros. O preço médio de lançamento foi estabelecido em cerca de R$ 21,3 mil o m². Com isso, a média de preços varia de R$ 1,8 milhão a R$ 3,2 milhões.
“O Pinheiros é um caso à parte em SP. É um lugar muito especial, onde a gente sabe do giro de comercialização de imóveis. Todo mundo quer morar nessa região. Sempre colocamos nome e sobrenome nos produtos (imobiliários). Resolvemos chamar de Almá Pinheiros porque teríamos maior absorção de clientes na internet. O nome que queríamos era Almá Alves Guimarães, de tão importante e nobre que é essa rua em Pinheiros”, conta Putinato.
O lobby social do edifício, que terá pé-direito duplo, abrigará uma obra inédita e exclusiva do Kobra (com 4,5 m por 2,5 m), doada ao condomínio. Putinato conta que os clientes que comprarem no lançamento, neste sábado, 15, receberão uma obra de arte do artista (uma “spray can” estilizada) para suas unidades. Em uma etapa de pré-venda, foram vendidas 35 unidades.

Empreendimento Almá Pinheiros terá obra do artista Eduardo Kobra no lobby Foto: Divulgação/SKR
O projeto na rua prevê a entrega de oito lojas localizadas justamente nos patamares da Escada das Bailarinas, o que trará curadoria de serviços e conveniência diretamente para a vizinhança.
O Almá contará com piscina com raia de 25 m, sauna, ofurô, espaço para massagem e uma academia de grande porte. No rooftop, haverá uma área de churrasco com bangalôs, protegida por vidros de 1,80 m de altura para mitigar o vento.
A maior parte das negociações de alto padrão da capital paulista enquadra os imóveis de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões. Foram 2.538 transações em 143 ruas só no primeiro semestre de 2026.

Bairros como Jardim América, Moema, Pinheiros e Perdizes concentram o maior número de ruas com apartamentos milionários. Mapeamento reforça concentração em bairros tradicionais Foto: Felipe Rau/Estadão
Pinheiros lidera o ranking com 11 endereços e 259 transações. Perdizes (10 ruas, 197 transações), Moema Pássaros (10 ruas, 144 transações) e Moema Índios (8 ruas, 132 transações) completam o grupo de maior oferta.
Putinato conta que, dada a raridade e a disputa dos terrenos para incorporação em Pinheiros, levou cinco anos para conseguir compor o espaço para o Almá, antes ocupado por casas de rua.
Veja mais
Não muito distante de Pinheiros, a segunda rua com mais transações se destaca pela extensão.
A rua Vergueiro tem mais de 9 km, atravessando diferentes bairros e mercados imobiliários, como os bairros da Liberdade, Vila Mariana, Chácara Klabin e chega ao Ipiranga.
O endereço registrou 49 negócios neste ano e a região se consolidou como um corredor de compactos e apartamentos de alto padrão.
Em terceiro lugar, a Rua Barão do Triunfo, em Campo Belo, registrou 47 transações a R$ 1.055.473 em imóveis de 165 m², em média.
Metodologia
Os dados da Loft têm como fonte os registros de Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) do município de São Paulo referentes ao período de janeiro a junho de 2026. Para a análise por rua, foram considerados apenas endereços com ao menos 10 transações no semestre e tíquete médio acima de R$ 1 milhão. As subfaixas de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões e acima de R$ 2 milhões foram definidas com base no tíquete médio da rua, não no valor de cada transação individual.
Vale notar que imóveis lançados hoje, ainda em construção, pagam o ITBI apenas quando estiverem prontos, ou seja, dentro de um prazo médio de três anos. Nesse período, pode ocorrer valorização dos imóveis nas ruas analisadas, resultando em preços mais elevados hoje do que há três anos.
Fonte ONU