Os melhores negócios começam com um KISS

Compartilhar:

Como uma negociação conduzida pelo dealmaker internacional Ricardo Bellino em Miami pode antecipar a próxima fase da Creator Economy brasileira.

Em um mundo empresarial cada vez mais dominado por inteligência artificial, algoritmos, dashboards, apresentações intermináveis e estruturas cada vez mais sofisticadas, uma reunião realizada recentemente em Miami trouxe de volta uma ideia aparentemente simples. Talvez os melhores negócios ainda comecem com uma conversa.

E, segundo Ricardo Bellino, fundador da Dealmakers Academy, talvez também comecem com um KISS. A sigla — Keep It Simple, Stupid — tornou-se o conceito central de uma negociação que nasceu em Campinas e, poucos dias depois, chegou à mesa de executivos da Linkme, uma das plataformas mais relevantes da Creator Economy americana.

O episódio oferece um retrato interessante de duas transformações simultâneas. A primeira é a ascensão da economia dos creators. A segunda é a crescente valorização da simplicidade em um ambiente cada vez mais complexo.

De Campinas a Miami em menos de uma semana

A história começou durante uma palestra de Bellino em Campinas. Foi ali que Bellino conheceu três jovens empreendedores brasileiros — Bruno Farina, Igor Ferro e Gibran Scaf — que apresentaram uma oportunidade considerada estratégica: avaliar a possibilidade de construir uma ponte entre o Brasil e a Linkme.

Coincidências linguísticas a parte, Bruno é aluno da Link School of Business, instituição que rapidamente se consolidou entre as escolas de negócios mais prestigiadas do Brasil e que recentemente recebeu autorização para iniciar suas operações acadêmicas em Miami, já sendo considerada o college mais caro dos Estados Unidos.

Menos de uma semana depois, Bellino e os jovens empreendedores desembarcavam em Miami para uma reunião com os fundadores da Linkme. O objetivo era discutir uma potencial estratégia de expansão da plataforma para o mercado brasileiro.

O que parecia ser apenas mais uma reunião de negócios rapidamente ganhou contornos mais amplos.

O Brasil já não é apenas o país dos influenciadores. É uma economia de creators.

Os números ajudam a explicar o interesse crescente pelo mercado brasileiro. Segundo levantamento divulgado pela Influency.me em 2026, o Brasil já ultrapassou a marca de 2,1 milhões de influenciadores digitais ativos. Ao final de 2025, o país contabilizava aproximadamente 150 milhões de identidades ativas em redes sociais, o equivalente a cerca de 70,4% da população.

Mas os números contam apenas parte da história. O influenciador deixou de ser apenas um veículo de mídia.

Hoje ele pode atuar simultaneamente como:

  • canal de vendas;
  • comunidade;
  • embaixador de marcas;
  • educador;
  • lançador de produtos;
  • proprietário de negócios;
  • e, em muitos casos, sócio estratégico de empresas.

Globalmente, o mercado de influencer marketing atingiu aproximadamente US$ 32 bilhões em 2025. Mais importante do que o crescimento do setor é a mudança de lógica. A influência deixou de ser uma ferramenta de marketing para se transformar em infraestrutura econômica. A força já não está concentrada apenas nos grandes nomes.

Ela está distribuída entre milhares de creators capazes de gerar algo ainda mais valioso do que alcance: confiança.

O Caso Linkme

Foi justamente nesse contexto que surgiu o interesse pela Linkme. Fundada nos Estados Unidos, a plataforma reúne soluções de monetização, analytics, e-commerce, gestão de audiência e relacionamento entre criadores e suas comunidades.

Segundo informações divulgadas pela companhia, mais de 200 milhões de usuários já passaram pelo ecossistema da plataforma. Entre os nomes associados à Linkme encontram-se personalidades do esporte, entretenimento e empreendedorismo como Patrick Bet-David, Jason Derulo, Anthony Edwards, Ryan Garcia, Bruce Buffer, Nicky Jam e diversos outros criadores que, juntos, alcançam centenas de milhões de seguidores globalmente.

A visão discutida durante a reunião em Miami envolve a construção de um núcleo fundador composto inicialmente por cinco influenciadores brasileiros de grande relevância.

A proposta não é simplesmente importar uma tecnologia. É desenvolver um ecossistema capaz de conectar creators, marcas, comunidades e oportunidades de negócios em escala nacional.

Da conversa à confiança

Um dos aspectos mais relevantes da reunião em Miami foi que ela não terminou apenas com boas impressões ou promessas de continuidade.

Ao final dos encontros, a Linkme formalizou uma carta de representação reconhecendo oficialmente Bruno Farina, Igor Ferro e Gibran Scaf como representantes da plataforma no Brasil durante uma fase inicial de desenvolvimento de mercado, tendo a For Creators como estrutura operacional local e Ricardo Bellino atuando como advisor estratégico da iniciativa.

Embora a parceria ainda esteja em fase experimental, o gesto possui um significado simbólico importante. Ele demonstra que a conversa avançou da esfera das possibilidades para o campo da confiança.

Mais do que discutir tecnologia, audiência ou monetização, os encontros em Miami tiveram como foco a construção de relacionamento entre as pessoas que poderão liderar esse movimento nos dois países.

Na prática, a carta representa muito mais do que uma autorização formal. Ela simboliza o primeiro capítulo de uma ponte que começa a ser construída entre o ecossistema americano de creators e uma das economias digitais mais vibrantes do mundo.

O Protocolo KISS

Curiosamente, o aspecto mais marcante da reunião não foi a tecnologia. Nem os números. Nem mesmo o potencial econômico da oportunidade. Foi o método.

Segundo participantes do encontro, Bellino optou por conduzir a conversa utilizando um princípio que passou a chamar de Protocolo KISS. Keep It Simple, Stupid.

Em vez de apresentações extensas, documentos complexos e estruturas excessivamente sofisticadas, a proposta foi reduzir a conversa ao essencial.

Três perguntas.

  • O que estamos tentando construir?
  • Por que isso faz sentido?
  • Qual é o próximo passo?

A abordagem foi tão bem recebida que inspirou a criação da chamada KISS Letter. Um documento de alinhamento estratégico de apenas uma página que poderá integrar oficialmente a metodologia da Dealmakers Academy.

“Vivemos uma época em que a inteligência artificial pode gerar complexidade infinita. Mas confiança continua sendo uma construção humana. Os melhores negócios da minha vida nunca nasceram das apresentações mais sofisticadas. Eles nasceram da clareza, da simplicidade e da capacidade de conectar pessoas. O KISS não é sobre simplificar negócios. É sobre eliminar tudo aquilo que não agrega valor ao relacionamento”, afirma Ricardo Bellino.

Charlie Munger já sabia disso

Embora o conceito KISS tenha surgido originalmente na engenharia americana, Bellino gosta de associá-lo a uma das frases mais célebres de Charlie Munger, parceiro histórico de Warren Buffett.

“It is remarkable how much long-term advantage people like us have gotten by trying to be consistently not stupid, instead of trying to be very intelligent.”

Em tradução livre:

“É impressionante a vantagem de longo prazo que pessoas como nós obtiveram simplesmente tentando não ser estúpidas de forma consistente, em vez de tentar ser extremamente inteligentes.”

Para Bellino, essa frase resume perfeitamente a essência do KISS.

“A simplicidade não é falta de profundidade. É profundidade sem ruído. Muitas vezes as pessoas tentam parecer brilhantes quando deveriam apenas evitar ser estúpidas. Os maiores dealmakers não são aqueles que complicam. São aqueles que tornam o complexo compreensível.”

O Futuro pertence aos simples

A Creator Economy está entrando em uma nova fase. Uma fase marcada por profissionalização, comunidades, monetização, partnership e construção de ecossistemas.Na visão de Bellino, a grande oportunidade não está apenas em contratar influenciadores. Está em criar redes de creators alinhadas a causas, produtos, marcas e comunidades.

É justamente essa tese que deverá nortear a próxima edição da Dealmakers Academy, marcada para os dias 27 e 28 de junho em Campinas. Curiosamente, na mesma cidade onde essa história começou poucos dias antes.

Se existe uma lição a ser extraída dessa negociação, talvez ela seja simples. Em um mundo capaz de produzir complexidade infinita, a capacidade de simplificar pode se tornar uma das competências mais valiosas da próxima década.

E talvez seja exatamente por isso que os melhores negócios ainda comecem com um KISS.

PODCAST

Artigos relacionados