Desenrola 2.0 é positivo para bancos, mas pode incentivar inadimplência, diz JPMorgan

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Apesar de avaliar que o novo programa de renegociação de dívidas do governo, o Desenrola 2.0, não resolve estruturalmente o problema de endividamento das famílias e possa incentivar a inadimplência no futuro, o JPMorgan considera a inciativa como levemente positiva, já que as instituições financeiras podem recuperar parte dos créditos, aumentar receitas contábeis e suavizar preocupações com o ciclo de crédito.

A medida deve ser apresentada no dia 1° de maio, durante um pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o Dia do Trabalhador.

O programa deve focar em dívidas de pessoas físicas com atraso entre 90 e 720 dias e renda de até cinco salários mínimos. Esses créditos normalmente já estão em estágio 3 (alto risco), com provisões superiores a 70%, ou até totalmente baixados, com 100% de provisão. Como esses ativos costumam ser vendidos com grande desconto, qualquer recuperação acima desse nível tende a ser positiva para os bancos.

Segundo o JPMorgan, os descontos nas renegociações devem variar entre 30% e 90%, com garantia do governo por meio do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O banco estima que o sistema financeiro poderia recuperar entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões com o programa. Nesse contexto, a Nubank (BDR: ROXO34) aparece como um dos principais beneficiários, dado seu posicionamento relevante nesse segmento, podendo recuperar entre R$ 700 milhões e R$ 1,5 bilhão antes de impostos.

A expectativa é que o Desenrola 2.0 atenda pessoas de baixa e média renda, com dívidas como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais sem garantia. O programa também pode permitir o uso de recursos do FGTS, com limites, para quitação de débitos em atraso.

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Em termos de escala, a iniciativa pode abranger mais de R$ 100 bilhões em dívidas renegociadas. As condições incluem limite de até R$ 15 mil por pessoa em cada instituição financeira e taxa máxima de juros próxima de 1,99% ao mês. Operacionalmente, o modelo deve incluir carência de 30 dias e um período inicial de três meses com pagamento apenas do principal, sem juros, o que pode facilitar a adesão.

O JPMorgan destaca que os detalhes finais ainda dependem de validação do governo, com apresentação prevista ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A adesão ao programa deve ficar aberta por cerca de 90 dias, com possibilidade de extensão.

Por fim, o banco relembra que a primeira edição do Desenrola, lançada em 2023, ajudou mais de 15 milhões de pessoas a renegociar cerca de R$ 53 bilhões em dívidas, com impacto limitado para os bancos. No caso do Nubank, por exemplo, o efeito líquido foi neutro, com ganhos em receitas ajustadas ao risco compensando os descontos concedidos nas renegociações.



Fonte Infomoney

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