Funcionário do BC alvo de operação retardou envio de documentos à PF para prisão de Vorcaro

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BRASÍLIA – Suspeito de ter sido cooptado pelo empresário Daniel Vorcaro, o então chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Belline Santana, retardou o envio de documentos à Polícia Federal que serviriam para a deflagração da primeira prisão do dono do Banco Master, em novembro do ano passado. Procurado, ele não retornou aos contatos.

Belline e um ex-diretor do BC, Paulo Sérgio Souza, foram alvos de busca e apreensão e tornozeleira eletrônica na terceira fase da Operação Compliance Zero, após a investigação ter encontrado diálogos nos quais eles auxiliavam o dono do Banco Master a apresentar documentos de defesa à autarquia. Também são suspeitos de terem recebido pagamentos de propina.

O envolvimento de Belline espantou os investigadores porque ele era um dos nomes destacados pelo Banco Central para compartilhar informações e realizar reuniões com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal sobre as suspeitas de irregularidades no Banco Master. Belline era subordinado à Diretoria de Fiscalização, comandada por Ailton de Aquino.

Em outubro, quando estava em preparação a primeira fase da Operação Compliance Zero, os investigadores pediram a Belline uma série de documentos do Banco Central sobre o Master para embasar o pedido de prisão de Vorcaro e outras medidas cautelares.

De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão que acompanharam essa tramitação, Belline retardou por algumas semanas o envio desses documentos e só enviou a papelada depois que os investigadores chegaram a avisá-lo que poderia ser responsabilizado judicialmente ou receber alguma advertência.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando tentava sair do País em um jatinho. Foi solto 11 dias depois, mas foi preso novamente nesta quarta-feira, 4, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Ao mesmo tempo em que mantinha as reuniões com os investigadores, Belline participava de um grupo de WhatsApp com Vorcaro, no qual também estava um outro servidor do BC, e mantinha encontros privados e telefonemas com o dono do Master.

Na decisão que determinou a operação contra Belline e demais alvos, Mendonça citou os indícios obtidos sobre a atuação dele em favor de Vorcaro.

“Os elementos reunidos nas investigações indicam que BELLINE SANTANA prestava consultoria estratégica ao investigado, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Banco Master, fornecendo orientações acerca da condução de processos administrativos e participando de tratativas voltadas à definição de estratégias institucionais do banco Master perante o Banco Central. Em diversas ocasiões, o investigado solicitava contato telefônico para tratar de assuntos sensíveis, indicando a intenção de evitar o registro escrito das comunicações”, escreveu o ministro em sua decisão.



Fonte ONU

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