G20: Lula defende soberania digital e minerais críticos

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Lula fala com Cyril Ramaphosa (foto de Ricardo Stuckert, PR)

O presidente Lula traçou um panorama da relação entre minerais críticos, inteligência artificial e trabalho decente em discurso no segundo dia da Cúpula de Líderes do G20, em Joanesburgo, na África do Sul, na madrugada deste domingo. Para ele, a forma de integrar esses três vetores define não apenas o presente, mas o futuro das próximas gerações.

No painel Um Futuro Justo e Equitativo para Todos, Lula alertou para os riscos de a inovação tecnológica aprofundar desigualdades e defendeu que nações com grandes reservas de minérios não sejam tratadas como meras fornecedoras. Para isso, enfatizou a urgência de uma governança global da IA centrada na Organização das Nações Unidas (ONU).

Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica”, declarou

O líder brasileiro reforçou que “o que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam.”

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Lula ressaltou a importância de investimentos ambientalmente e socialmente responsáveis, que contribuam para fortalecer a base industrial e tecnológica dos países detentores de recursos, e citou a criação do Conselho Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no Brasil. “A soberania não é medida pela quantidade de depósitos naturais, mas pela habilidade de transformar recursos através de políticas que tragam benefícios para a população”.

Cartaz de 'bem-vindo ao G20' na África do Sul
Foto de Chen Wei, Xinhua

Trabalho decente

Lula concluiu a participação fazendo a conexão entre avanço tecnológico e necessidade de proteção aos trabalhadores e trabalhadoras. Ele frisou que não haverá “futuro equitativo para todos” sem assegurar oportunidades de trabalho e proteção. O presidente destacou que 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções expostas à IA, sob risco de automação ou complementação, e defendeu que cada painel solar, cada chip, cada linha de código carregue a marca da inclusão social.

A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar direitos humanos e trabalhistas. O trabalho decente deve ser o objetivo das nossas ações. O progresso só se concretizará se for compartilhado, sustentável, justo e inclusivo”, finalizou

Criado em 1999, após a crise financeira asiática, o G20 se tornou uma Cúpula de Chefes de Estado e de Governo em 2008. Atualmente, representa mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 75% do comércio internacional e 60% da população do planeta.

Prioridades do G20

A África do Sul conduz os trabalhos do G20 sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, com quatro prioridades: Fortalecimento da resiliência e capacidade de resposta a desastres; Sustentabilidade da dívida pública de países de baixa renda; Financiamento para a transição energética justa; e Minerais críticos como motores de desenvolvimento e crescimento econômico.

Os países do G20 desempenham papel fundamental nas redes globais de comércio. Eles não apenas são grandes exportadores e importadores, mas destinos frequentes de exportações uns dos outros. Em 2005, o total exportado pelo G20 foi de US$ 8,2 trilhões. Já em 2021, chegou a US$ 17 trilhões, crescimento de 107%.

Entre os principais produtos comercializados pelos integrantes do G20 estão manufaturas, como veículos automotivos, eletrônicos e maquinaria industrial; produtos agrícolas, como cereais, carne e frutas; e commodities, como petróleo, gás natural, minérios e metais. O Brasil exporta a integrantes do G20 aeronaves, petróleo e materiais relacionados, ferro, aço, minérios metálicos e produtos diversos do agronegócio.

Fonte: Planalto

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Fonte Monitor Mercantil

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