Pesquisa indica impacto amplo do estresse laboral na saúde mental no Brasil

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Um levantamento produzido pela Vittude em cooperação com a Opinion Box aponta que 66,1 por cento das pessoas no Brasil já sentiram algum impacto do estresse relacionado ao trabalho na saúde mental. O estudo, chamado Saúde Mental em Foco, reúne dados de dois mil participantes com mais de dezesseis anos, distribuídos por todas as regiões do país. O conteúdo traz indicadores sobre rotinas profissionais, hábitos de cuidado, uso de serviços especializados e percepção sobre soluções corporativas.

O material também mensura o Net Promoter Score voltado à promoção da saúde mental dentro de empresas. O resultado obtido, negativo em dezenove pontos, repete o cenário do ano anterior e mostra que grande parte dos entrevistados não recomendaria suas organizações como promotoras de iniciativas estruturadas. Entre os respondentes, 46,3 por cento aparecem como detratores e 27,6 por cento como promotores.

Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude, afirma que o dado sobre o impacto do estresse no cotidiano profissional evidencia urgência na discussão. Segundo ela, o trabalho funciona como fator que influencia diretamente o bem-estar, fator que demanda atenção contínua diante da atualização da NR 1, norma que reforça práticas relacionadas à gestão de riscos psicossociais.

A pesquisa registra que grande parte dos participantes avalia a própria saúde mental com notas altas em escala de um a cinco. Quarenta por cento apontam quatro pontos e 28,8 por cento indicam cinco pontos. Mesmo assim, 7,2 por cento permanecem em situação crítica. Essa parcela busca pouco apoio, o que mostra distância entre percepção e adoção de medidas de cuidado.

Quase metade dos entrevistados considera que terapia deveria fazer parte da rotina de todas as pessoas, mas apenas 26,8 por cento estão em acompanhamento. Entre quem não faz sessões, 48 por cento afirmam que não veem necessidade, 34,5 por cento citam custo e 18 por cento mencionam falta de tempo. Quem realiza sessões utiliza diversas modalidades de pagamento. Vinte e oito por cento usam plano de saúde, 7,5 por cento recebem custeio integral da empresa e o restante arca com valores mensais variados.

A pesquisa também analisa a presença de iniciativas corporativas relacionadas ao tema. Segundo o estudo, 32,1 por cento dizem que suas empresas não possuem nenhuma ação voltada ao assunto. Entre práticas existentes aparecem políticas contra assédio e discriminação, palestras e webinares, acesso a terapia via plano e comitês de bem-estar. Esses dados reforçam distância entre discurso e implementação de políticas internas estruturadas.

O levantamento examina ainda o impacto de diferentes modelos de trabalho. O regime presencial permanece predominante, com 74 por cento. A preferência, porém, recai sobre formatos híbridos flexíveis, considerados pelos participantes como os que melhor equilibram demandas laborais e vida pessoal. Nesse grupo, 63,3 por cento atribuem notas quatro e cinco ao próprio nível de bem-estar. Já o modelo remoto integral concentra 11,4 por cento de pessoas em condição crítica, indicação de que isolamento e flexibilidade podem surgir juntos na rotina.

O material registra também que 78,2 por cento das pessoas preferem atuar em organizações com programas dedicados ao tema. Além disso, 92,4 por cento defendem que saúde mental precisa ocupar espaço central em políticas internas.

Tatiana afirma que programas robustos trazem impacto na redução de afastamentos, riscos psicossociais e rotatividade. Segundo ela, diagnóstico contínuo, metas claras, planos de ação e capacitação de lideranças fortalecem sustentabilidade e reputação corporativa.




Fonte Startupi

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