“De Caixa de Supermercado a Diretor Executivo” coloca comportamento, preparo e integridade no centro da ascensão profissional, com lições para quem busca crescer e para quem escolhe os próximos líderes.
Por Luciano Fontinele
Uma promoção pode ser decidida muito antes de uma vaga existir. Na maneira como um profissional reage a uma crítica, no problema que assume sem precisar ser cobrado, no conhecimento que compartilha e nas escolhas que faz quando seus princípios são colocados à prova. É nesse cotidiano, pouco visível no currículo, que se concentra De Caixa de Supermercado a Diretor Executivo: O Manual para Ascender na Carreira, de Luciano Fontinele.
A obra amplia a conversa sobre crescimento profissional ao mostrar o que acontece entre a ambição de chegar mais longe e a capacidade de assumir responsabilidades maiores. Ao reunir experiências vividas, erros reconhecidos e ferramentas práticas, aproxima o debate sobre carreira das situações que profissionais e gestores enfrentam todos os dias.
O livro acompanha uma trajetória iniciada no caixa de um supermercado, mas seu interesse vai além da história de uma ascensão. Cada episódio abre espaço para o leitor examinar a própria conduta. Como se preparar para uma oportunidade? Quando insistir e quando mudar de ambiente? Como conquistar confiança sem recorrer à bajulação? E o que observar em alguém antes de colocá-lo à frente de uma equipe?
Uma das passagens mais reveladoras trata de uma promoção que não aconteceu. Anos depois, durante um café com um antigo gestor de Recursos Humanos, o autor ouviu que seu comportamento havia pesado contra a escolha. A dificuldade de lidar com questionamentos comprometia a percepção de que estava pronto para a diretoria.
Ao revisitar o episódio, Fontinele reconhece a necessidade de validação que havia por trás de suas reações. O reconhecimento do erro revela uma mudança de perspectiva: a mesma disposição para ser visto que ajudou no início da carreira precisava amadurecer para que ele pudesse avançar.
“Inteligência emocional, aprendi da forma mais cara possível, não é não sentir. É perceber o que você sente a tempo de escolher como agir”, escreve.
Essa reflexão atravessa a obra. A preparação para liderar envolve ouvir o contraditório, conduzir conversas difíceis e responder com firmeza sem transformar uma discussão de trabalho em confronto pessoal. São atitudes que influenciam a confiança depositada em um profissional, mesmo quando seus resultados técnicos são bons.
O livro também oferece elementos para quem recruta, avalia e promove pessoas. No capítulo dedicado à leitura, Fontinele conta que, ao analisar currículos e conduzir entrevistas, observa como o candidato organiza o que sabe quando precisa explicar. A clareza de raciocínio ganha lugar na avaliação, ao lado da experiência apresentada no papel.
Para a escolha de futuros líderes, a obra acrescenta outros critérios: demonstrar capacidade de assumir problemas mais complexos, continuar aprendendo e preparar alguém para dar continuidade ao trabalho. O profissional que concentra todo o conhecimento pode acabar dificultando a própria movimentação. Desenvolver a equipe, nessa perspectiva, faz parte do preparo para crescer.
Esses ensinamentos ajudam a qualificar a conversa sobre recrutamento e sucessão. Para quem decide, sugerem observar evidências de prontidão e a maneira como a pessoa trabalha com os outros. Para quem busca uma oportunidade, apontam a importância de construir essa preparação antes da entrevista ou do anúncio da vaga.
Há ainda uma inversão útil: o candidato também precisa avaliar a organização. Em uma das ferramentas propostas, o autor recomenda perguntar sobre um erro relevante cometido pela área e o que aconteceu com quem errou. A resposta pode oferecer pistas sobre a cultura que o profissional encontrará depois da contratação.
A ascensão defendida no livro também exige limites. No capítulo O errado sempre será errado, o autor relata uma situação em que precisou questionar um procedimento com o qual não concordava, apesar do respaldo de superiores. O episódio sustenta uma orientação direta: “Proteja o seu nome antes de proteger o seu cargo.”
É nesse ponto que o crescimento profissional ganha uma dimensão mais exigente. Preservar a reputação pode envolver desconforto, perda de conveniência e decisões cujos benefícios só aparecem mais tarde. A obra trata a integridade como parte das escolhas concretas de carreira, inclusive quando seguir adiante parece depender de aceitar uma exceção.
A leitura também alcança quem já ocupa posições de comando. No capítulo O escudo, a responsabilidade do líder aparece na disposição de responder pelos problemas e reconhecer publicamente quem contribuiu para os resultados. “Seja o escudo, nunca o holofote”, resume o texto.
A experiência que sustenta essas reflexões foi construída ao longo de 29 anos em Supply Chain, Logística e Operações. Hoje COO no setor de dispositivos médicos, Luciano Fontinele passou por grandes empresas nacionais e multinacionais. Sua trajetória inclui 14 anos na Via, responsável por Casas Bahia e Ponto Frio, além de experiências no Carrefour e atuação internacional no México e na Argentina.
Esse percurso dá contexto à obra, mas são as decisões relatadas, inclusive as equivocadas, que ajudam a compreender como o autor construiu sua visão sobre liderança. A experiência profissional aparece acompanhada de reflexões sobre erros, mudanças de comportamento e responsabilidades assumidas ao longo da carreira.
Fontinele prepara também Quem decide? A revolução da tomada de decisão em Supply Chain, ampliando para a gestão das operações uma preocupação presente no livro atual: a qualidade das escolhas e a responsabilidade de quem as assume.
Em De Caixa de Supermercado a Diretor Executivo, essa discussão começa antes de qualquer cargo de liderança. Começa no profissional que deseja crescer e precisa compreender o que deve aprender, como pretende agir e quais princípios quer preservar ao longo do caminho.

Sobre Luciano Fontinele
Luciano Fontinele é executivo com 29 anos de experiência em Supply Chain, Logística e Operações. Atualmente, ocupa o cargo de Chief Operating Officer (COO) no setor de dispositivos médicos. Sua trajetória inclui passagens por grandes empresas nacionais e multinacionais.
