EUA anunciam novo tarifaço sobre o Brasil
Nova taxa é resultado de investigação norte-americana sobre trabalho forçado. Crédito: Edição: Júlia Pereira
A economia dos EUA enfrenta desafios com a intensificação do conflito com o Irã, elevando os preços do petróleo a US$ 100 por barril e a gasolina a mais de US$ 4 por galão. As novas tarifas comerciais de Trump sobre dezenas de países, incluindo a UE, complicam ainda mais a situação. A inflação, embora em queda, permanece alta, afetando consumidores. O Federal Reserve enfrenta incertezas sobre taxas de juros. As políticas tarifárias de Trump podem aumentar custos para famílias americanas, gerando insatisfação antes das eleições de meio de mandato.
WASHINGTON – Há poucas semanas, a economia dos Estados Unidos parecia estar entrando em uma pausa de verão.
A guerra com o Irã parecia estar perdendo força. Os mercados de energia haviam começado a se acalmar. Os preços na bomba de gasolina haviam caído e, em toda a economia, a inflação havia começado a diminuir.
Isso representou um alívio bem-vindo para as famílias e empresas americanas, que haviam enfrentado mais de um ano de choques iniciados pela guerra comercial global do presidente Donald Trump.
Mas o alívio não durou.

Governo Trump anunciou novas tarifas a mais de 80 países Foto: Mark Schiefelbein/AP
Um conflito militar cada vez mais intenso com o Irã entrou em uma nova fase perigosa nesta semana, assustando os mercados de energia e levando os preços globais do petróleo a US$ 100 por barril. A ansiedade se refletiu nos preços da gasolina, que ultrapassaram US$ 4 por galão (equivalente a 3,78 litros) em grande parte do país, segundo a American Automobile Association (AAA). E a turbulência coincidiu com o retorno da política de risco de Trump no comércio, já que a Casa Branca formalizou, nesta sexta-feira, 24, uma série de novas tarifas sobre dezenas de países.
As tarifas se aplicam a alguns dos maiores parceiros comerciais dos EUA, incluindo os membros da União Europeia, e espera-se que sejam as primeiras de muitas outras que estão por vir. Tarifas são impostos que incidem sobre mercadorias importadas; assim, mais uma vez, as ações do presidente ameaçam elevar os custos para algumas empresas e consumidores americanos.
Esses fatores, somados, complicaram as perspectivas econômicas do país de maneiras já conhecidas. Antes, os economistas acreditavam que o fim das hostilidades no Oriente Médio significaria um retorno gradual à normalidade. Em vez disso, a retomada dos combates colocou essas suposições em dúvida, deixando a longa e árdua luta do país contra a inflação tão complicada como sempre.
“Quanto mais tempo a guerra se prolongar, neste nível atual de intensidade, pior será para os consumidores”, disse Olu Sonola, chefe de economia dos EUA na Fitch Ratings.
Os ventos contrários à economia pesavam especialmente sobre Trump, faltando menos de quatro meses para as eleições de meio de mandato. No entanto, em um comício em Marietta, na Geórgia, na quarta-feira, o presidente parecia imperturbável diante das repercussões negativas da guerra com o Irã, um conflito que ele tem minimizado repetidamente.
Trump declarou que a inflação estava “bem baixa”, apontando para a queda nos preços em junho, antes de prometer que os custos de energia, em particular, “cairiam, talvez para níveis ainda mais baixos do que quando começamos”.
“Mas me deem só um pouco de tempo”, acrescentou.
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Os comentários de Trump definiram o que está em jogo tanto para a economia quanto para o Partido Republicano, com os eleitores ficando cada vez mais impacientes com o rumo econômico do país. Muitos disseram aos pesquisadores que estão frustrados com a agenda de Trump e insatisfeitos com o andamento da guerra.
Desde o início, Trump tentou apresentar a intervenção como essencial para a segurança nacional, argumentando que precisava impedir que o Irã obtivesse uma arma nuclear. Sua mensagem econômica tem oscilado nesse processo. Em vários momentos, ele minimizou os custos do conflito, sugeriu que as consequências poderiam ser muito piores e expressou otimismo de que os Estados Unidos poderiam absorver qualquer golpe.
De muitas maneiras, a economia tem se mostrado resiliente e pode crescer 2,3% este ano, segundo estimativas feitas este mês por analistas da Oxford Economics. O mercado de trabalho também continua forte, registrando ganhos mais lentos, mas constantes, no mês passado.
Mas a inflação continua sendo um flagelo que tem prejudicado as finanças dos americanos. Apesar de registrar a maior queda em um único mês em seis anos, os preços ao consumidor, em geral, ainda estavam 3,5% mais altos em junho do que no mesmo mês do ano anterior. Esse valor ficou bem acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve.
A Casa Branca comemorou os últimos dados sobre a inflação, que chegaram justamente quando os Estados Unidos e o Irã retomaram as hostilidades – o que gerou preocupações de que qualquer melhora pudesse ser de curta duração. O esperado aumento nos preços do petróleo e do gás ocorreu rapidamente, à medida que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz voltou a ficar praticamente paralisado.
A turbulência basicamente interrompeu semanas de melhorias graduais. Antes do recrudescimento das hostilidades, os preços do gás no varejo haviam caído 15% e o combustível de aviação havia recuado 35% em comparação com as máximas registradas na primavera (do hemisfério norte), de acordo com um relatório divulgado este mês pelo Goldman Sachs. Economistas haviam previsto que a queda estava prestes a reduzir os preços ao consumidor de maneira generalizada, já que a energia afeta tudo, desde o transporte marítimo até os fertilizantes.
As consequências de um retorno prolongado à guerra podem ser abrangentes, especialmente para os americanos de baixa renda, que dedicam uma parcela maior de sua renda mensal aos custos de energia.
Se as hostilidades fizerem com que os preços da energia disparem por meses, um dos resultados poderia ser um aumento nas contas de aquecimento doméstico. Na quinta-feira, a Associação Nacional de Diretores de Assistência Energética estimou que uma família média que utiliza aquecimento a óleo poderia ver seus custos subirem para US$ 1.700 neste inverno, caso o petróleo bruto permanecesse a US$ 100 o barril.
Isso se compara a cerca de US$ 1.100 no inverno passado, segundo a associação, que representa os diretores estaduais de um programa federal que ajuda os americanos de baixa renda a arcar com suas contas de aquecimento. O grupo solicitou ao Congresso que aprovasse verbas adicionais para o programa
A discórdia geopolítica agravou os desafios enfrentados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que deve se reunir na próxima semana. A incerteza gerou novas dúvidas sobre se os diretores do banco, liderados por Kevin M. Warsh, o novo presidente do Fed, optariam por manter as taxas de juros inalteradas em resposta à inflação.
Mesmo antes da guerra, o Fed já estava sobrecarregado com as novas questões levantadas pelo avanço da inteligência artificial. Autoridades do banco central também vinham lidando com os choques causados pela guerra comercial global de Trump, à medida que sua lista de tarifas em constante mudança se espalhava pela economia.
Essas tarifas sofreram novas alterações nesta semana. Nesta sexta-feira, o governo Trump finalizou uma lista de novos impostos sobre importações de grande parte do mundo, o maior passo na tentativa do presidente de recriar o esquema tarifário que a Suprema Corte derrubou em fevereiro.
Desde a meia-noite, muitas importações de mais de 80 países, incluindo Canadá, México e os membros da União Europeia, estão sujeitas a impostos de 10% ou 12,5%. As tarifas, impostas nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, têm como objetivo combater práticas comerciais desleais, particularmente as preocupações de que esses países não tenham reprimido o “trabalho forçado”.
Trump planeja submeter outros países da Europa e da Ásia a tarifas semelhantes nos próximos meses devido à superprodução de certos produtos. Separadamente, nesta semana, ele anunciou uma tarifa de 50% sobre muitos produtos do Canadá, incluindo vinho, tacos de hóquei e papel, alegando que o país discriminava a indústria norte-americana.
Essas políticas poderiam elevar a alíquota média das tarifas sobre as importações para 12,8% até o final do ano, de acordo com uma análise preliminar do Yale Budget Lab, que estudou as tarifas anunciadas anteriormente pelo governo. (Algumas dessas alíquotas foram alteradas desde então.) Esse valor se compara a 9,8% caso o governo não agisse e deixasse expirar a tarifa existente de 10% em todo o mundo.
Para os consumidores, as mudanças nas tarifas também poderiam se traduzir em perdas reais. As famílias poderiam enfrentar uma média de US$ 1.100 em custos anuais adicionais sob o conjunto completo das políticas recentes de Trump, em comparação com cerca de US$ 550 sob a legislação atual, constatou o centro de estudos apartidário.
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Fonte ONU