Brasil diversifica mercados para fugir de tarifa dos EUA

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Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil (foto do Senado Federal, CRA)
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil (foto do Senado Federal, CRA)

As tarifas impostas pelos EUA vão atingir produtos que, no ano passado, somaram US$ 7,2 bilhões dos US$ 38 bilhões que o Brasil vendeu ao país de Donald Trump. O cálculo foi feito pela Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que anunciou um plano de R$ 130 milhões, a ser lançado em agosto, para diversificar as vendas do Brasil no exterior e reduzir os impactos das tarifas estadunidenses.

Entre junho de 2025 e maio de 2026, 72% das 2,4 mil empresas que exportam para os EUA e que são apoiados pela ApexBrasil já diversificaram o mercado. “Elas acrescentaram, nesse período, pelo menos um novo destino de suas exportações”, disse o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, em entrevista coletiva.

Ele acrescentou que as prioridades são o mercado da União Europeia, até pelo recente acordo com o Mercosul, além dos países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, entre outros, e que apresentam altas taxas de crescimento.

Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os possíveis novos mercados a serem explorados pelas empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço dos EUA.

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“São países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e estão crescendo a 7% ou 8% [do Produto Interno Bruto, PIB], com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem”, disse.

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Müller afirmou que houve, no primeiro semestre do ano, uma redução de cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações para os EUA, resultado das tarifas aplicadas anteriormente. “Mas tivemos um aumento de US$ 3,1 bilhões para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia e US$ 10,5 bilhões para a China, só para citar alguns dos destinos mais importantes.”

As negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá também foram apontadas como oportunidades para diversificar o comércio exterior do Brasil, reduzindo a dependência dos estadunidenses.

Tarifas dos EUA são medida política, diz Brasil

Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O Governo dos Estados Unidos alega supostas práticas “desleais” no comércio por parte do Brasil, mas por trás do tarifaço está a doutrina dos EUA de recuperarem o domínio pleno sobre a América Latina.

O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para a taxação, alegando que a medida tem motivação política e que Washington exigia abertura total de mercados sem contrapartida. As novas tarifas valem a partir do dia 22 de julho.

Durante as negociações, a lista dos produtos isentos passou de 615 para 699, aumentando o valor isento das tarifas de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões do total exportado, considerando os dados de 2025.

Apesar das dificuldades, o presidente da ApexBrasil avalia que o país tem se destacado no mundo como um país “amigo, um fornecedor estável”.

“Tanto é que nós tivemos US$ 77 bilhões de entrada de investimentos no ano passado. Fomos o quinto maior recebedor de investimentos do mundo. Os países em desenvolvimento tiveram um crescimento de 2% na atração de investimentos, o Brasil teve um crescimento de 22% na atração de investimentos e é o principal destino já dos investimentos chineses”, concluiu.

São Paulo e Santa Catarina sofrem 52% do impacto do tarifaço

Os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do mais recente tarifaço anunciado pelos EUA contra o Brasil. Dos US$ 7,4 bilhões em vendas afetadas pelas tarifas de 25%, US$ 3 bilhões têm origem em São Paulo.

O estado economicamente mais forte do país concentra, sozinho, 41,6% do total do valor das exportações afetadas. Isso representa 20% de exportações paulistas aos EUA. Considerando o total das exportações afetadas, Santa Catarina tem uma situação mais crítica, com 68% das exportações aos EUA afetadas, segundo a ApexBrasil.

O setor madeireiro do Paraná também deve ser muito afetado. Isso porque 30% das importações de madeira dos EUA vem do Brasil. Desse total, 66,7% tem origem no Paraná.

“Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos (EUA). Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana”, comentou Laudemir Müller.

Além da madeira, os EUA também é um grande importador de granito do Brasil, produto que entrou no tarifaço. Dados da ApexBrasil apontam que 36% do granito importado pelos EUA veem do Brasil. O material é usado na construção civil.

“Não há como, de uma hora para outra, o americano, que tem 30% do seu suprimento de madeira do Brasil para construção, buscar em outro local. Não tem como buscar granito em outro local com essa dependência de 36%”, avaliou o presidente da ApexBrasil.

Com informações da Agência Brasil

Matéria atualizada às 17h16 para incluir informações do tarifaço

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Fonte Monitor Mercantil

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