Queda histórica da ajuda internacional ameaça o desenvolvimento africano

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À medida que os orçamentos de ajuda tradicional diminuem entre os principais doadores internacionais, os países africanos enfrentam pressão crescente para mobilizar mais recursos próprios a fim de financiar o seu desenvolvimento.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, Ocde, a ajuda pública ao desenvolvimento global registou uma queda recorde de 23,1% em 2025, passando de US$ 215,1 bilhões em 2024 para US$ 174,3 bilhões.

Ajuda bilateral em queda global

Países como a Alemanha, os Estados Unidos, o Reino Unido, o Japão e a França foram responsáveis por 95,7% da queda global na ajuda internacional no ano passado. Trata-se da primeira vez que os cinco maiores doadores mundiais reduziram simultaneamente a assistência no mesmo ano.

Os impactos já se fazem sentir na saúde, educação, assistência humanitária e adaptação climática de alguns países africanos. Esta redução da ajuda poderá dificultar a manutenção de serviços essenciais de saúde, sem aumentar o encargo financeiro para os doentes.

Neste contexto, Stephen Karingi, diretor da Divisão de Macroeconomia, Finanças e Governação da Comissão Económica para África, ECA, afirma que os países africanos devem mobilizar mais recursos próprios para financiar o seu desenvolvimento.

WFP/Gabriela Vivacqua
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Desenvolvimento assente em recursos internos

O responsável afirma que o desenvolvimento interno é da responsabilidade dos próprios países. Segundo Karingi, as nações africanas já dispõem de muitas das ferramentas necessárias para reforçar a mobilização de recursos para o seu crescimento interno.

No entanto, o maior desafio reside na utilização eficaz desses instrumentos. Karingi aponta para o exemplo do Egito, onde a digitalização melhorou a mobilização de receitas, e do Ruanda, onde sistemas de contratação pública transparentes ajudaram a reduzir fugas na despesa pública.

O diretor acredita que o desenvolvimento do continente africano constitui uma responsabilidade partilhada entre a sociedade e as instituições governamentais. Neste sentido, Karingi destaca a importância da tributação e da utilização eficiente dos recursos públicos, através de políticas transparentes, eficazes e financeiramente sustentáveis.

A ECA tem vindo a ajudar os países a identificar fluxos financeiros ilícitos, bem como a prestar aconselhamento político e assistência técnica, para ajudar os Estados-membros a reforçar a gestão das finanças públicas, melhorar a administração fiscal e identificar novas fontes de financiamento interno.



Fonte ONU

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