Seis dias após um avião colidir com o prédio mais alto de Pequim, a capital da China, autoridades do país asiático informaram nesta quinta-feira (2) que o piloto, um homem de 66 anos identificado apenas pelo sobrenome Liu, sofria de insônia e ansiedade havia anos e manifestava, de forma recorrente, o desejo de tirar a própria vida. Segundo o governo local, o caso teve “motivação pessoal”.
O governo do distrito de Chaoyang, onde ocorreu a colisão, divulgou que Liu desviou da rota de voo previamente autorizada, perdeu contato com o aeroporto de onde havia decolado e colidiu com o prédio.
O piloto atingiu a torre de 108 andares, que abriga a sede de um dos maiores conglomerados estatais da China. O arranha-céu fica a cerca de 7 km de Zhongnanhai, complexo onde trabalham o líder Xi Jinping e outros integrantes da cúpula do regime chinês.
O caso ocorreu poucos dias antes das comemorações do 105º aniversário do Partido Comunista Chinês, no Grande Salão do Povo, localizado nas proximidades da Praça da Paz Celestial. Casos desse tipo são raros na China, que mantém um dos controles mais rígidos do mundo sobre o espaço aéreo e adota fortes medidas de segurança em torno de suas principais autoridades.
Segundo o governo de Chaoyang, Liu primeiro fez um voo acompanhado e, em seguida, decolou sozinho de um aeroporto no distrito de Pinggu. O desvio de rota ocorreu durante esse segundo voo. As autoridades também divulgaram, pela primeira vez, o número de registro da aeronave: B-12PP.
Apesar da explicação oficial, permanecem dúvidas sobre como o avião conseguiu entrar em uma área vizinha a uma zona de exclusão aérea permanente e atravessar um espaço aéreo restrito, utilizado por aeronaves comerciais que chegam e deixam o Aeroporto Internacional de Pequim.
Antes, em março, Pequim determinou a proibição do uso de drones em toda a cidade por preocupações de segurança. Agora, qualquer voo não tripulado precisa ser autorizado pelo controle de tráfego aéreo e até mesmo a venda dos itens enfrenta restrições. Aeronaves tripuladas que precisam passar pelo local devem seguir as determinações nacionais.
A versão apresentada pelo governo também não encerra os questionamentos sobre possíveis falhas de segurança. Usuários das redes sociais chinesas continuam cobrando esclarecimentos após a divulgação do comunicado, mas as publicações foram removidas, segundo a agência de notícias Reuters.
Na China, todos os voos, inclusive os de aviação geral, precisam ser autorizados pelas autoridades. Os operadores devem apresentar planos detalhados de voo até as 15h do dia anterior à decolagem, e a legislação de aviação civil, em regra, proíbe sobrevoos de áreas urbanas.
A obtenção de uma licença de piloto privado na China exige aprovação em exames médicos e o cumprimento de outros requisitos de certificação, disse à Reuters um piloto habilitado a voar no país que falou sob condição de anonimato devido à sensibilidade do caso.
Ainda segundo as normas da aviação civil chinesa, pilotos de 66 anos devem renovar o certificado médico a cada dois anos para comprovar que mantêm condições físicas e mentais adequadas para voar, incluindo a inexistência de transtornos psiquiátricos que possam comprometer a segurança das operações.
O prédio atingido começou a ser construído no fim de 2011 e foi anunciado como uma das mais altas construções do planeta. Concluído em 2018, o arranha-céu fica em frente a outro marco arquitetônico famoso de Pequim, o edifício da Televisão Central da China (CCTV).
Onde buscar ajuda
CVV (Centro de Valorização da Vida)
Voluntários atendem ligações gratuitas 24 horas por dia no número 188 ou pelo site www.cvv.org.br
Mapa Saúde Mental
Site mapeia diversos tipos de atendimento: www.mapasaudemental.com.br
Fonte UOL