O Grupo Ultra (UGPA3) desistiu do processo de compra da Rumo (RAIL3), a maior operadora ferroviária privada da América Latina, segundo reportagem do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O ativo havia sido colocado à venda pela Cosan (CSAN3) como parte da estratégia de redução de alavancagem.
Apesar da saída da Ultrapar, o processo de venda continua, pois ainda há outros oito compradores interessados na aquisição do ativo. A Cosan informou que está avaliando alternativas para sua participação na companhia e contratou o BTG Pactual como assessor financeiro, reforçando que o processo ainda está em fase inicial e sem decisão final sobre formato ou estrutura da transação.
O Bradesco BBI avalia que a saídada Ultra reduz modestamente o universo de potenciais parceiros estratégicos para o grupo controlador. Diante disso, o desenvolvimento reportado não altera necessariamente a justificativa estratégica de uma transação e pode simplesmente refletir considerações de avaliação ou a continuação das discussões com outras potenciais contrapartes.
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“Dependendo do perfil do comprador, esperaríamos resultados diferentes em termos de avaliação, tamanho da participação e governança”, comentam analistas do BBI. “Investidores financeiros ou estratégicos poderiam inicialmente buscar uma participação minoritária abaixo do limite da poison pill.”
No caso dos clientes da Rumo, um investimento provavelmente levaria a arranjos de governança aprimorados para lidar adequadamente com potenciais conflitos de interesse decorrentes da relação comercial. Ao mesmo tempo, o BBI acredita que esses compradores também poderiam buscar uma participação maior, potencialmente acima do limite da poison pill.
Em geral, o BBI manteve recomendação de compra para Rumo, com preço-alvo de R$ 22,00.
Ultrapar (UGPA3)
Para a Ultrapar, analistas veem a decisão como positiva, ao evitar um movimento que poderia elevar a alavancagem e pressionar dividendos, permitindo foco no core business de distribuição de combustíveis.
Embora a Rumo esteja totalmente alinhada ao objetivo estratégico da empresa de ganhar exposição ao agronegócio, especialmente por meio de infraestrutura, este seria um negócio de R$ 2,5 a 7,5 bilhões, dependendo de a Ultrapar buscar uma participação minoritária de 10% ou visar a aquisição integral da participação de 30% da Cosan.
Contudo, isso não atenderia aos melhores interesses dos acionistas, pois poderia representar um desvio de foco na alocação de capital, provavelmente afetando os dividendos, devido ao aumento da alavancagem (que poderia ter disparado para 2,5x a relação Dívida Líquida/EBITDA no caso de uma aquisição total), levando, por sua vez, o mercado a precificar um desconto de holding para a Ultrapar.
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Com a transação fora de cogitação, o BBI avalia que o foco do mercado se voltará para a melhora dos fundamentos do setor de distribuição de combustíveis, enquanto a proposta de reforma da regulação de GLP no país deve permanecer como o principal ponto de discussão sobre riscos. Ainda assim, acreditamos que o setor apresenta um valuation razoável em um momento de forte dinâmica de resultados.
Fonte Infomoney