Falhas de segurança ainda geram prejuízos milionários na construção civil e expõem fragilidade operacional das empresas

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Alta de acidentes, paralisações de obras e passivos trabalhistas ampliam pressão por compliance técnico no setor

A construção civil brasileira convive com um problema histórico que continua gerando impactos humanos e financeiros expressivos: falhas de segurança nos canteiros de obras. Em um setor pressionado por alta de custos, prazos mais curtos e margens cada vez mais apertadas, acidentes de trabalho têm provocado paralisações, ações judiciais, aumento de seguros, multas regulatórias e prejuízos operacionais que poderiam ser evitados com planejamento técnico mais rigoroso.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o Brasil registrou 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes em 2025, o maior volume desde o início da série consolidada pelo governo em 2016. Na comparação com 2020, os acidentes cresceram 65,8% e os óbitos avançaram 60,8%, reforçando o alerta sobre prevenção e segurança operacional.

Apesar da melhora nos indicadores de segurança da construção civil nos últimos anos, o risco continua elevado em atividades operacionais de maior complexidade. Levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção mostra que o setor reduziu em mais de 30% os acidentes típicos e em 60% a letalidade, mas especialistas alertam que obras de infraestrutura, montagem industrial e operações de maior risco ainda exigem protocolos rígidos para evitar paralisações, passivos trabalhistas e prejuízos financeiros.

O impacto financeiro vai além das indenizações. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho mostram que o Brasil registrou 8,8 milhões de acidentes de trabalho e 31.981 mortes entre 2012 e 2024. Em outro recorte do próprio observatório, entre 2012 e 2022, acidentes e doenças ocupacionais geraram 2,3 milhões de afastamentos pelo INSS e mais de R$ 136 bilhões em gastos previdenciários, evidenciando o peso econômico da falta de prevenção.

Na prática, uma falha simples pode gerar efeito em cascata: embargo de obra, atraso na entrega, quebra de contrato, aumento de passivos jurídicos e desgaste reputacional junto a investidores e clientes.

Em um mercado imobiliário já pressionado pelo avanço do custo dos materiais e do crédito mais caro, negligenciar segurança se tornou um erro ainda mais caro.

Para Christian Wesley Gonzaga de Sousa, engenheiro civil da Verderello Engenharia, Incorporação e Construção Ltda. e especialista em incorporação imobiliária, muitas empresas ainda tratam segurança apenas como exigência regulatória quando deveria ser encarada como estratégia operacional. “Quando ocorre um acidente grave, o impacto não fica restrito ao trabalhador. A empresa pode sofrer paralisações, perder produtividade, enfrentar processos e comprometer todo o cronograma financeiro do empreendimento.”

Com experiência em infraestrutura, obras residenciais e gestão operacional, Christian afirma que muitas falhas ainda nascem no planejamento. “Muitos problemas acontecem antes mesmo do início da obra, quando há falhas na análise de risco, ausência de treinamento adequado, fiscalização insuficiente ou pressão excessiva por velocidade de entrega.”

Segundo ele, o compliance técnico também ganhou relevância no relacionamento com investidores e instituições financeiras. “Hoje bancos, investidores e grandes parceiros querem previsibilidade. Empresas com histórico de acidentes, problemas trabalhistas ou falhas regulatórias passam a representar risco maior.”

Christian afirma que a tecnologia também vem ganhando espaço na prevenção. “Ferramentas de monitoramento, controle digital de obras, rastreamento de equipamentos e auditorias mais estruturadas ajudam a reduzir erros humanos e aumentar a segurança operacional.”

Na avaliação de Christian, segurança deixou de ser apenas obrigação legal e passou a funcionar como fator direto de competitividade. Empresas que conseguem proteger equipes, manter conformidade regulatória e evitar paralisações tendem a preservar margens e ganhar espaço em um mercado cada vez mais exigente.

Roberta Lemos
Roberta Lemos
Comunicadora, Jornalista e Mentora de Voz

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