Canetas emagrecedoras: Mounjaro e Ozempic elevam lucros – 05/08/2026 – Economia

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As farmacêuticas Eli Lilly, dona do Mounjaro, e Novo Nordisk, detentora do Ozempic, elevaram suas projeções para o ano inteiro, impulsionadas pela disparada da demanda por medicamentos para obesidade e diabetes, mas as ações da farmacêutica dinamarquesa recuaram diante da preocupação dos investidores com sua forte dependência de seu tratamento campeão de vendas.

A Novo Nordisk afirmou nesta quarta-feira (5) que espera que o crescimento das vendas e do lucro operacional ajustado fique estável ou recue até 6% neste ano.

A empresa previa anteriormente uma queda de até 12%, mas agora tem expectativas mais altas para as vendas de seus produtos GLP-1, como o Ozempic e o Wegovy, campeões de vendas contra obesidade e diabetes.

A companhia registrou vendas líquidas de 78,5 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 62,25 bilhões) no segundo trimestre do ano, aumento de 3% em relação ao ano passado, a taxas de câmbio constantes. O lucro operacional ajustado foi de 33,4 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 26,49 bilhões), alta de 11%.

Já a Eli Lilly informou que sua receita no segundo trimestre saltou 48%, para US$ 23 bilhões (R$ 117,52 bilhões), impulsionada por um forte aumento nas vendas de tratamentos contra obesidade e diabetes. A receita internacional cresceu 80%.

Os investidores receberam com pessimismo a atualização da Novo, e as ações do grupo, listado em Copenhague, chegaram a cair quase 6% nesta quarta-feira.

Os resultados trouxeram sinais de alerta de desaceleração nos Estados Unidos, maior mercado da Novo, onde as vendas a taxas de câmbio constantes recuaram 4%.

Os investidores continuam preocupados com a falta de diversificação da Novo, já que 93% de sua receita no último trimestre veio das vendas de produtos contra obesidade e diabetes. Na americana Lilly, as duas áreas de produtos representaram cerca de 65% das receitas.

O presidente-executivo da empresa dinamarquesa, Mike Doustdar disse ao Financial Times estar “surpreso” com a reação negativa do mercado, dado que a projeção da empresa havia melhorado significativamente desde sua última atualização. “[Os números da Novo foram] sólidos, independentemente da reação do mercado no dia”, afirmou.

Já a Eli Lilly, dona do Mounjaro e do Zepbound, afirmou esperar uma receita anual entre US$ 85 bilhões e US$ 87 bilhões (entre R$ 434,3 bilhões e R$ 444,52 bilhões), acima da estimativa anterior, de US$ 82 bilhões a US$ 85 bilhões. As ações da Lilly subiram mais de 5% nas negociações do pré-mercado.

O preço das ações da Novo caiu mais de 12% neste ano, enquanto o da Lilly avançou cerca de 4% em 2026.

A Novo, assim como outros grandes grupos farmacêuticos, foi obrigada a reduzir os preços nos Estados Unidos sob pressão do presidente Donald Trump, como parte do acordo de Nação Mais Favorecida. A empresa, porém, aposta que o crescimento do volume acabará compensando os preços mais acessíveis.

O comprimido Wegovy da Novo —atualmente vendido nos EUA, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos, com lançamento em breve na Alemanha— acumulou mais de 5 milhões de prescrições desde seu lançamento, em janeiro. No entanto, ele é muito mais barato do que as versões injetáveis da empresa, o que tem pressionado suas vendas.

A empresa sofreu reveses recentes em ensaios clínicos, com um medicamento cardiovascular que não conseguiu reduzir o risco de ataques cardíacos e derrames em pacientes com inflamação e com doenças cardíaca e renal crônica. Na área de obesidade, um ensaio do medicamento experimental CagriSema mostrou que, embora tenha alcançado níveis de perda de peso semelhantes aos da tirzepatida da Lilly, foi ligeiramente inferior na redução dos níveis de açúcar no sangue.

“Respeito muito a Lilly”, afirmou Doustdar sobre a concorrente de sua empresa. “Não tenho o menor medo da Lilly. E isso vem de 100 anos de competição com a Lilly, período em que respeitamos uns aos outros e desenvolvemos versões melhores de medicamentos em benefício dos pacientes.”

Doustdar declarou que a jornada para diversificar os negócios da Novo era “uma maratona, não uma corrida de velocidade” e que a Lilly não era a única concorrente da empresa. Em vez disso, disse ele, a Novo “gostaria de competir com todos neste setor”.



Fonte UOL

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