FAO projeta crise agropecuária após fechamento do Estreito de Ormuz

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O fechamento do Estreito de Ormuz representa o início de uma crise no sistema agropecuário que levará a um aumento drástico no preço dos alimentos nos próximos seis meses. 

Esta é a estimativa do economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, Maximo Torero. Ele recomenda que governos e instituições comecem a pensar em formas de ampliar a capacidade de absorção e adaptação dos países para minimizar esses impactos.

Aumento nos preços

De acordo com a agência da ONU, o tempo para medidas preventivas está se esgotando. Decisões sobre importação e uso de fertilizantes terão impacto direto nos preços dos alimentos.

O monitoramento mensal da agência já registra aumentos, impulsionados pelos altos custos de energia e pelo conflito no Oriente Médio.

© NASA/GSFC/Jacques Descloitres
Imagem de satélite do Estreito de Ormuz

Em abril, as exportações de carne bovina do Brasil puxaram a alta global diante da oferta limitada de rebanhos de gado. A demanda dos mercados africanos por carne de frango, produzida na região, compensou quedas na comercialização com Oriente Médio, mas encareceu abruptamente a classe de produtos. 

Redução dos impactos

Até o final do ano, a situação pode se agravar com os efeitos do fenômeno climático El Niño, que deve elevar as temperaturas das águas do Oceano Pacífico, mudando a circulação atmosférica global.

Esta alteração climática provoca secas severas em algumas regiões e chuvas intensas em outras.

As medidas atuais de redução dos impactos na economia envolvem a utilização de rotas terrestres e marítimas alternativas, mas com capacidade limitada.

Para evitar inflação no curto prazo, será preciso obter mais rotas comerciais, proteção dos fluxos humanitários, evitar restrições às exportações, e reservas estratégicas para absorver custos de transporte mais elevados.

Para os próximos anos, a FAO considera essencial a adoção de medidas sustentáveis, como o investimento em energias renováveis e tecnologias agrícolas de precisão para prevenir novas crises.



Fonte ONU

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