como posicionar sua carteira de investimento para 2026

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A definição da carteira de investimentos para 2026 ganhou contornos mais claros entre casas de análise e estrategistas, em meio a um cenário marcado por eleições no Brasil, expectativa de queda dos juros e maior volatilidade nos mercados globais. Em comum, as leituras apontam para uma combinação entre proteção via renda fixa, exposição seletiva a risco e diversificação internacional como pilares centrais para atravessar o próximo ano.

Para Caio Zylbersztajn, sócio da Nord Investimentos, o principal eixo das alocações segue sendo os ativos indexados à inflação. A casa mantém, desde o início de 2025, uma visão construtiva para títulos públicos atrelados ao IPCA, especialmente as NTN-Bs com vencimentos intermediários e longos, entre 2029 e 2040.

Segundo ele, o patamar de juros reais próximo de 7,5% ao ano segue oferecendo uma assimetria favorável, tanto pelo carrego elevado quanto pelo potencial de marcação a mercado em um cenário de desaceleração econômica e início do ciclo de queda da Selic em 2026.

Não perca a oportunidade!

Mesmo diante das incertezas fiscais e políticas, Zylbersztajn avalia que esses títulos oferecem uma margem de segurança relevante. “Mesmo no pior cenário, o investidor ainda carrega IPCA mais 7,5%, o que é uma proteção importante”, afirma. A Nord compara o momento atual ao observado em 2015 e 2016, quando níveis semelhantes de juros reais precederam compressões significativas e ganhos expressivos para quem estava posicionado.

Bolsa brasileira continua no radar

A bolsa brasileira, que foi um dos destaques das carteiras ao longo de 2025, continua no radar, mas com ajustes. A avaliação é de que parte relevante do desconto já foi capturada, o que levou a Nord a reduzir a posição estrutural, adotando uma postura mais seletiva.

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A proximidade da eleição presidencial e a indefinição sobre candidaturas tendem a aumentar a volatilidade, exigindo foco maior em teses micro e empresas com fundamentos mais resilientes.

No exterior, a leitura também é de reforço gradual da diversificação. A valorização do real ao longo de 2025 abriu espaço para aumento das remessas internacionais, com foco tanto em renda fixa global quanto em teses específicas de ações. China e Argentina aparecem como apostas táticas, ao lado de uma exposição mais comedida à bolsa americana, dado o nível mais esticado de valuations.

Dentro da renda variável, Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, destaca setores defensivos como bancos, saneamento e energia elétrica. Instituições financeiras como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e BTG (BPAC11) seguem vistas como opções seguras, enquanto empresas de saneamento se beneficiam do avanço dos investimentos após o marco regulatório, além de possíveis privatizações.

No setor elétrico, companhias como Equatorial (EQTL4) e Axia (AXIA3) aparecem como apostas de maior estabilidade. Já as small caps tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador em ano eleitoral, segundo o estrategista.

A projeção da RB Investimentos é de uma valorização próxima de 15% para o Ibovespa, impulsionada pela expectativa de queda da Selic para algo em torno de 11% ao ano.

Eleições e transição do FED no radar

Segundo Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart, o próximo ano será influenciado por eventos relevantes tanto no Brasil quanto no exterior. No cenário internacional, a transição na presidência do Federal Reserve reacende discussões sobre uma política monetária mais tolerante à inflação, o que pode pressionar juros longos nos Estados Unidos e acelerar a rotação global de ativos iniciada em 2025.

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No Brasil, além do início esperado do ciclo de cortes da Selic já no primeiro trimestre, o debate eleitoral deve ampliar a sensibilidade dos ativos às propostas fiscais, especialmente diante da aproximação de 2027 e da pressão dos precatórios sobre o arcabouço fiscal.

Assim, diz Paixão, o ambiente de maior volatilidade exige acompanhamento ativo das carteiras, permitindo capturar oportunidades sem desviar do perfil de risco do investidor.



FonteAgência Brasil

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