Ibovespa tem gás para avançar mais após recordes, mas será que vai?

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SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa, principal referência do mercado acionário brasileiro, tem renovado recordes consecutivamente nas últimas sessões, testando os 158 mil pontos, na maior série de altas desde o lançamento do Plano Real em 1994.

O movimento reflete o começo da precificação do ciclo de corte da taxa Selic, de acordo com estrategistas, que citam ainda efeito da flexibilização da política monetária nos Estados Unidos, que tende a favorecer mercados emergentes como o Brasil.

A temporada de balanços das companhias brasileiras também tem endossado uma percepção benigna em termos de fundamentos, enquanto múltiplos mantêm o Ibovespa atrativo, principalmente em relação a outros pares.

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Na terça-feira, o Ibovespa completou 15 sessões seguidas de alta, o que não acontecia desde outra série de 15 ganhos entre maio e junho de 1994. Mais do que isso, apenas as 19 altas seguidas entre dezembro de 1993 e janeiro de 1994.

O movimento mais recente ocorre mesmo com dados da B3 ainda mostrando um saldo negativo de capital externo na bolsa paulista – R$ 1,2 bilhão em outubro e R$ 429 milhões em novembro até o dia 10. No ano, as compras superam as vendas em quase R$25 bilhões.

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‘Do ponto de vista macro, o mercado começa a precificar de forma mais clara o início do ciclo de corte da Selic’, afirmou estrategista-chefe do Itaú BBA, Daniel Gewehr.

‘Segundo nossos estudos, desde 2000, todos os ciclos de corte da Selic foram positivos para a bolsa em um horizonte de seis meses, sendo que, em média, o mercado antecipa esse movimento em cerca de três meses’, afirmou.

A área de pesquisa macroeconômica do Itaú, chefiada por Mario Mesquita, ex-diretor do BC, prevê um primeiro corte da Selic no primeiro mês de 2026.

Na véspera, o Banco Central alimentou tal expectativa na ata de sua última reunião de política monetária, na semana passada, que teve como desfecho a manutenção da Selic em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas.

O BC reiterou confiança na estratégia atual de manter a Selic no atual patamar por um período prolongado, mas a ata também trouxe uma visão mais otimista sobre as perspectivas de inflação.

Em paralelo, o IBGE mostrou, também na terça-feira, que o IPCA encerrou outubro com uma variação positiva de 0,09%, após alta de 0,48% no mês anterior, uma desaceleração mais forte do que o estimado por economistas.

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‘Os recentes dados comportados de inflação e a expectativa de corte da Selic no início de 2026 ajudam a sustentar o interesse pelas ações brasileiras’, reforçou o estrategista da Santander Corretora Ricardo Peretti.

ASSIMETRIA FAVORÁVEL

No cenário global, o ciclo de redução de juros pelo Federal Reserve tende a ser positivo para mercados emergentes, e, conforme citou Gewehr, historicamente Brasil e América Latina funcionam como um ‘beta’ – oscilando mais que outros pares.

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O banco central dos Estados Unidos começou a cortar o custo dos empréstimos da maior economia do mundo em setembro, com uma redução de 0,25 ponto percentual, repetindo a dose em outubro, o que colocou a taxa em uma faixa de 3,75% a 4,00%.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado precifica 65,4% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Fed em dezembro.

Peretti observou que ‘a sequência de altas do Ibovespa, de fato, chama a atenção e é um movimento bem atípico’. Mas pontuou que a tendência do mercado brasileiro está alinhada ao avanço de outros emergentes, embora em maior magnitude.

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Na série atual, o Ibovespa acumulou um ganho de 9,48%, ampliando a valorização no ano para 31,15%. O mexicano S&P/BMV IPC soma alta de 5,84% desde 21 de outubro e 29,91% em 2025. O MSCI EM sobe 1,38% e 30,42%, respectivamente.

‘Aparentemente, investidores seguem enxergando uma assimetria favorável na bolsa brasileira’, afirmou o estrategista do Santander.

Peretti citou que o mercado local é um dos poucos emergentes negociando com múltiplo de preço sobre lucro 12 meses à frente em torno de 9 vezes, enquanto diversos outros mercados negociam entre 13 vezes e 20 vezes o preço sobre o lucro.

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Analistas do UBS BB observaram investidores, em sua maioria fundos de mercados emergentes (EM Funds), relativamente otimistas com o Brasil, após reuniões na Europa na semana passada sobre o setor financeiro na América Latina.

Eles citaram em relatório a clientes na véspera que tal sentimento se apoia na percepção de que os valuations parecem atrativos ainda, que a Selic deve cair e que algum ajuste fiscal deve ocorrer independentemente do desfecho eleitoral de 2026.

O estrategista-chefe do Itaú BBA minimizou os números sobre estrangeiros da B3, observando melhora relevante na segunda metade de outubro no mercado à vista, além de um posicionamento mais construtivo desses investidores no mercado futuro.

NOVAS MÁXIMAS

Gewehr também chamou a atenção para a temporada de resultados corporativos do terceiro trimestre como mais um componente para a série de altas do Ibovespa, avaliando que a safra tem se mostrado melhor que a expectativa inicial.

‘Projetávamos números mais pressionados, refletindo juros elevados…e desaceleração da atividade…, mas estamos observando resultados ainda resilientes em diversos setores, especialmente entre as ‘large caps’, com destaque para o setor financeiro, algumas empresas de ‘utilities’ e companhias domésticas menos cíclicas’, afirmou.

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O estrategista-chefe do Itaú BBA afirmou que segue vendo vetores favoráveis para a bolsa, sendo um deles o posicionamento ‘leve’ do investidor local em renda variável, ‘com menos de 8% dos ativos sob gestão da indústria de fundos alocado em ações, patamar próximo a 2017’.

O outro é o que chamou de ‘volume expressivo’ de programas de recompra de ações por empresas ainda em aberto, que calcula em R$64,6 bilhões, considerando dados de meados de setembro.

De acordo com o analista da Manchester Investimentos Felipe Cima, há uma expectativa positiva para ver se o Ibovespa vai ter força para encostar nos 160 mil pontos pela primeira vez depois dos sucessivos recordes.

‘No curto prazo, o Ibovespa pode sim continuar com a alta atual.’



FonteCâmara dos Deputados

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