FIIs operam com “aberração de preços”, diz Danilo Barbosa, do Clube FII

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O mercado de fundos imobiliários (FIIs) ainda passa por um momento de distorção entre o valor patrimonial e o preço das cotas negociadas em Bolsa, segundo Danilo Barbosa, sócio do Clube FII.

Em entrevista ao programa Liga de FIIs, do InfoMoney, o especialista classificou o cenário atual como uma “aberração de preços”

“Hoje, as transações imobiliárias estão ocorrendo em níveis muito discrepantes das avaliações patrimoniais. O avaliador sugere um valor de referência, mas o mercado real é outro — é o preço que efetivamente tem comprador e vendedor”, explicou Barbosa. Segundo ele, muitos imóveis estão sendo negociados a 30% ou 40% acima dos yields implícitos e, ainda assim, com cotações em Bolsa abaixo do custo de reposição.

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O especialista observa que a diferença entre os preços de mercado e os valores patrimoniais decorre, em parte, do perfil predominante dos investidores. “O investidor pessoa física tende a fazer contas imediatistas, comparando o rendimento dos fundos com a renda fixa. Isso adiciona mais um prêmio de risco ”, afirmou.

Alavancagem assusta?

Barbosa destacou que a alavancagem — muitas vezes mal compreendida pelo público — não é necessariamente um problema. “O mundo imobiliário é alavancado por natureza. A questão é a qualidade dessa dívida: se ela tem prazos bem definidos e está casada com os fluxos do fundo, ela é saudável”, disse.

Outro ponto sensível é o custo de reposição dos imóveis. Para Barbosa, é “inconcebível” que um ativo seja negociado em Bolsa por um valor inferior ao necessário para construí-lo novamente. “Isso mostra uma desconexão entre o mercado financeiro e o mercado real, e é algo que precisa ser corrigido ao longo do tempo”, afirmou.

O especialista também comentou a redução do volume médio de negociações no IFIX — índice que reúne os principais fundos imobiliários da B3. Segundo ele, o volume diário caiu cerca de 10% em 2025, mesmo com o índice em alta.

“A pessoa física ainda não voltou com força para o mercado, muito por conta das taxas elevadas da renda fixa. Mas, quando esse fluxo retornar de forma mais intensa, poderemos ver uma reprecificação importante dos FIIs”, avaliou

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“Enquanto houver essa assimetria de percepção de risco, as correções continuarão ocorrendo. Mas o mercado está em evolução, e isso é positivo no longo prazo”, acrescenta.



Fonte Infomoney

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