Grandes obras de infraestrutura enfrentam entraves jurídicos que desafiam cronogramas e orçamentos

Compartilhar:

A realização de obras públicas de grande porte no Brasil é marcada por entraves que vão muito além dos desafios técnicos e financeiros. Questões jurídicas recorrentes, como insegurança contratual, disputas em licitações e entraves ambientais, têm atrasado cronogramas e encarecido projetos em todo o país.

Dados do TCU (Tribunal de Contas da União) revelam que cerca de 37% das grandes obras federais paralisadas apresentam causas jurídicas como fator principal, sejam por problemas na fase de licitação, judicialização de contratos ou questões regulatórias não resolvidas. A complexidade das legislações federais, estaduais e municipais também torna o ambiente de infraestrutura extremamente vulnerável a interpretações contraditórias e disputas judiciais prolongadas.

Para a engenheira civil Andrezza Medeiros Teles, especialista em infraestrutura com experiência em obras públicas nos estados de Goiás e Tocantins, o problema também está ligado à falta de integração entre a gestão técnica e o corpo jurídico das instituições. “Muitas vezes, os contratos são elaborados sem a escuta da equipe técnica de campo, o que gera lacunas que podem ser facilmente judicializadas. Não basta um contrato juridicamente bem redigido se ele não dialoga com a realidade da obra”, afirma.

Com mais de duas décadas de experiência e passagem por funções estratégicas no setor público, Andresa participou de editais, licitações e auditorias de obras, além de implementar práticas de compliance em agências de infraestrutura. “Quando unimos boa técnica, escuta ativa e respaldo jurídico preventivo, a obra avança com mais segurança e transparência. O Brasil precisa abandonar o modelo reativo e investir em planejamento jurídico integrado desde a concepção do projeto”, complementa.

Especialistas consultados pela redação apontam que o avanço de boas práticas depende de maior capacitação das equipes técnico-jurídicas, revisão dos modelos licitatórios e digitalização de processos para garantir rastreabilidade, segurança regulatória e previsibilidade contratual.

Enquanto não houver sinergia entre os pilares técnico, jurídico e administrativo, grandes obras seguirão vulneráveis à paralisia, ao desperdício de recursos e à perda de confiança do setor produtivo. Falas como a de Andrezza Medeiros Teles reforçam a urgência de profissionais que compreendem, na prática, o elo entre o projeto e a governança legal que o sustenta.

Andrezza Medeiros Teles
Andrezza Medeiros Teles

Artigos relacionados

Sérgio Zagarino adere ao Manifesto pelo Turismo de Natureza e reforça compromisso com o litoral sustentável

Candidato a deputado estadual passa a integrar iniciativa nacional que defende a preservação ambiental aliada ao turismo, à...

Wyndham conclui POE Brasil em Olímpia (SP)e reforça capacitação como pilar da sua expansão

Crescer em número de hotéis é apenas uma parte do desafio de expansão de uma companhia hoteleira. Fazer...

Top Seller RCI reunirá 450 profissionais de 14 estados para discutir os novos caminhos do turismo compartilhado no Brasil

Cerca de 450 profissionais de mais de 50 salas de vendas, representando pelo menos 30 cidades de 14...