Minerais críticos: UE quer negociar com Vietnã – 14/10/2026 – Infraestrutura

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Zurique (Suíça), Bruxelas e Hanói

| Reuters
A União Europeia busca garantir mais minerais críticos do Vietnã para reduzir sua dependência da China, em meio a preocupações de que o abastecimento atual possa estar em risco, segundo documentos internos da UE vistos pela agência de notícias Reuters.

O Vietnã possui depósitos substanciais de minerais críticos, incluindo tungstênio, terras raras, antimônio, bismuto e bauxita, da qual o gálio pode ser extraído como subproduto. As exportações para o bloco europeu têm se limitado, em grande parte, ao tungstênio e ao antimônio, ambos usados no setor de defesa, como em munições e explosivos.

“Considerando a necessidade da Europa de se rearmar e reduzir riscos o mais rapidamente possível, a UE não pode se dar ao luxo de ignorar o Vietnã como potencial fornecedor de matérias-primas críticas, tendo em vista suas abundantes reservas, sobretudo de terras raras e tungstênio”, afirmou a delegação da UE que elaborou o documento.

Mão humana com luva branca segura pedaço irregular de mineral que brilha em tons vermelhos e roxos sob luz ultravioleta, em ambiente escuro.

Tungstênio é extraído em mina na Coreia do Sul; minério é um dos alvos da União Europeia para buscar acordo com Vietnã

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Heo Ran – 06.nov.25/Reuters

O relatório e um documento anexo, datados de junho de 2026, recomendam apoio financeiro à indústria de mineração e processamento do Vietnã para “manter e ampliar o acesso atual, sobretudo a tungstênio, bismuto, antimônio e titânio”, alertando que a concorrência de países parceiros pode afetar o abastecimento da UE. O relatório e o documento anexo não haviam sido divulgados anteriormente.

Os documentos afirmam que é necessário estreitar o relacionamento com o Vietnã para “acrescentar uma alternativa à China”, maior produtora mundial de minerais críticos, especialmente depois que as restrições às exportações impostas por Pequim no ano passado “afetaram as cadeias de abastecimento europeias”.

Um dos documentos instou as instituições da UE a se prepararem para obter resultados concretos durante a visita do líder vietnamita, To Lam, a Bruxelas, que, segundo quatro autoridades europeias e vietnamitas, ocorreria na próxima semana, com reuniões com líderes da UE previstas para 22 de outubro. A visita não foi anunciada oficialmente.

A viagem ocorreria logo após a reunião desta semana do Conselho Europeu, na qual se espera que os líderes da UE discutam planos para reduzir a dependência de produtos e matérias-primas chineses, ao mesmo tempo que garantem fontes alternativas de recursos críticos.

“A Comissão Europeia avalia atualmente o potencial de uma cooperação concreta com o Vietnã no setor de matérias-primas críticas”, afirmou um porta-voz do braço executivo da UE ao ser questionado sobre o documento e a visita de To Lam.

O Vietnã não está atualmente entre os 16 parceiros estratégicos da UE em matérias-primas minerais. Dois funcionários afirmaram que os minerais críticos devem ocupar lugar de destaque nas negociações da próxima semana.

Na semana passada, Bruxelas retirou o Vietnã de sua lista de paraísos fiscais. O governo vietnamita também instou os países da UE a ratificarem um acordo de proteção de investimentos assinado em 2019, que continua bloqueado por alguns países, entre eles a França. O país também pressionou a UE a retirar uma advertência relativa ao setor pesqueiro vietnamita.

O Ministério das Relações Exteriores do Vietnã não respondeu a um pedido de comentário. A delegação da UE preferiu não comentar.

RISCOS AO ABASTECIMENTO

A crescente concorrência de países parceiros é vista como uma possível ameaça ao abastecimento da UE. Um dos documentos menciona um plano fracassado no ano passado, envolvendo entidades da Austrália, dos EUA e do Canadá, para adquirir uma participação majoritária na maior operação de tungstênio do Vietnã, pertencente à Masan High-Tech Materials.

O complexo, que inclui uma mina e uma refinaria, é um importante fornecedor de tungstênio para a Europa, sobretudo para a Alemanha, embora as exportações tenham caído significativamente no ano passado devido a entraves administrativos e em meio à disparada dos preços do mineral.

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O plano foi articulado pela mineradora australiana EQ Resources e “não estava isento de riscos para o atual abastecimento da UE”, afirmou o documento.

A EQ Resources não respondeu a um pedido de comentário. A Masan High-Tech preferiu não comentar.

No mês passado, a Masan High-Tech vendeu uma participação de 4,99% ao Elmet Group, fornecedor de tungstênio para o estoque estratégico de defesa dos EUA.

A Masan também negocia com um investidor estrangeiro não europeu a venda de outra participação de 5%, disseram duas pessoas familiarizadas com as conversas. Elas pediram anonimato porque as negociações eram privadas.

Um projeto separado da australiana Lynas Rare Earths e da sul-coreana LS Eco Energy para produzir metais de terras raras no Vietnã usando matéria-prima importada é visto como outra iniciativa “que pode deixar a UE para trás”, segundo o documento.

O texto pede apoio da UE à indústria de processamento do Vietnã, que descreve como politicamente menos sensível do que as operações de mineração.

Empréstimos, subsídios, assistência técnica e seguro de crédito à exportação estão entre os instrumentos propostos para apoiar projetos de minerais críticos no Vietnã, incluindo iniciativas para mapear os recursos com maior precisão.

O documento também alerta para os riscos de investir em minerais críticos no Vietnã, incluindo a falta de transparência sobre o envolvimento da China, obstáculos regulatórios e políticos e o “nacionalismo econômico” vietnamita, que envolve exigências de transferência de tecnologia.



Terras raras retiradas de mina nos EUA

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Pierre Hardy – 12.ago.26/AFP

VIETNÃ NEGOCIA ACORDO

A Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês) e o Vietnã devem assinar um acordo de livre comércio neste domingo (18), disseram autoridades nesta semana, após negociações há muito paralisadas terem sido retomadas no ano passado, em meio às tensões globais em torno das tarifas dos Estados Unidos.

O Vietnã e o bloco da EFTA, que inclui Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, concluíram as negociações em julho, após anos de tratativas iniciadas em 2012.

O acordo será assinado em Hanói com a presença do ministro da Economia da Suíça, Guy Parmelin, informou um porta-voz de seu ministério nesta quarta-feira (14). Parmelin, que também ocupa a presidência rotativa da Suíça, está atualmente em visita à Ásia.

O Ministério das Relações Exteriores da Noruega e duas autoridades em Hanói confirmaram que a assinatura é iminente. O Ministério das Relações Exteriores do Vietnã não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Em julho, a EFTA afirmou que o acordo abrangeria regras de origem, investimentos, direitos de propriedade intelectual e concorrência, medidas de defesa comercial e compras governamentais. Autoridades em Hanói haviam dito anteriormente que o acordo seria assinado em outubro, com a data exata definida de acordo com as agendas dos líderes.



Fonte UOL

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