Brasil lidera captação de investimento estrangeiro na AL: US$ 77,6 bi

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O Brasil consolidou sua posição de liderança econômica absoluta na América Latina ao concentrar 40% de todo o Investimento Estrangeiro Direto (IED) destinado à região em 2025, somando US$ 77,67 bilhões. Os números integram a análise macroeconômica do recém-lançado relatório “Programas de Migração por Investimento na América Latina: Uma Análise Comparativa”, um levantamento conduzido pela Global Citizen Solutions, consultoria internacional de mobilidade global e migração por residência, que cruza esses dados globais de fluxo de capitais com a atratividade dos programas de residência jurisdicionais. O relatório consolida o panorama econômico, as vantagens fiscais jurisdicionais e os caminhos legais de residência no Brasil, México, Colômbia, Argentina, Chile e Peru.

O estudo avalia 11 programas de residência ativos na região com base em quatro critérios: velocidade de processamento, atratividade fiscal, flexibilidade de investimento e liberdade de presença. O Panamá lidera o ranking combinado com uma pontuação de 84,4, seguido pelo Paraguai, com 80,1, e pela República Dominicana, com 77,7, à frente de Costa Rica, Equador, Uruguai, Brasil, Colômbia, México, Peru e Chile. O Brasil ficou em sétimo lugar no ranking geral.

Segundo a análise, a América Latina é, há muito tempo, um caso de desempenho abaixo do esperado no mundo dos investimentos (rica em recursos, estrategicamente localizada e demograficamente jovem, mas historicamente subcapitalizada em relação a todo esse potencial). Mas esse cenário está começando a mudar, pois a transição global em direção às economias digital e verde passou a valorizar enormemente exatamente o que a região fornece: minerais críticos, energia e segurança alimentar.

Investimentos

O aporte no Brasil é impulsionado por uma transição em massa para infraestrutura de tecnologia e Inteligência Artificial (IA). Entre os aportes mais expressivos mapeados, está o feito pela Microsoft, que destinou US$ 2,7 bilhões para infraestrutura de nuvem e IA no país, enquanto a Alibaba Cloud escolheu o território brasileiro para sediar seu primeiro data center na América Latina.

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O mercado de Fusões e Aquisições (M&A) também refletiu esse dinamismo, registrando mais de 1.800 transações que movimentaram cerca de US$ 58 bilhões. O Brasil abriga hoje 386 mil milionários (em dólares), a maior concentração de indivíduos de alto patrimônio (HNWI) da América Latina.

Apesar de ser o principal hub econômico da região, a análise aponta que o país oferece regras de entrada moderadas para investidores internacionais, contrastando com alguns vizinhos que exigem aportes significativamente maiores. É possível acessar o programa de residência brasileiro via investimentos em inovação e tecnologia a partir de US$ 30 mil, constituição de empresas (US$ 100 mil) ou setor imobiliário (US$ 125 mil). Em contrapartida, países como o Uruguai exigem US$ 2 milhões para benefício fiscal total, e o Panamá requer a partir de US$ 300 mil em imóveis. Além disso, o Brasil exige apenas 30 dias de permanência física por ano durante a residência temporária, um contraste brutal frente aos 180 dias exigidos por Colômbia e Chile.

O caminho para a naturalização também é um dos mais competitivos do continente: concede cidadania em quatro anos (ou apenas três anos para aportes imobiliários acima de US$ 200 mil). O passaporte brasileiro garante acesso sem visto a 177 destinos, sendo o mais forte entre os países analisados, empatado com o Chile.

Esses fatores fizeram o Brasil despontar como o destino de investimento nº 1 entre os 11 programas avaliados na região pelo Global Passport Index 2026, com nota 43,9, superando Panamá (43,5) e Costa Rica (42,8). Contudo, o relatório revela um gargalo de promoção: a rota de investimento imobiliário atraiu menos de 700 candidatos nos últimos cinco anos. Segundo o estudo, a lacuna entre as regras favoráveis e a demanda real decorre da falta de conhecimento no exterior e da menor presença de consultorias internacionais divulgando o destino.

Ao mesmo tempo, o investidor brasileiro mostra sua força exportadora de capital no Mercosul. No Paraguai — que aprovou mais de 29 mil residências na primeira metade do ano —, os brasileiros responderam por 76% de todas as concessões, aproveitando a forte arquitetura de mobilidade regional.

Para, a ascensão de mercados como o sul-americano reflete uma mudança de comportamento mais ampla na indústria global. Segundo Patricia Casaburi, CEO e fundadora da Global Citizen Solutions, a mobilidade internacional está deixando de ser uma simples escolha de estilo de vida para se tornar uma verdadeira ferramenta de gestão de riscos, onde uma segunda residência atua como proteção e diversificação de portfólio.

Neste cenário global, a executiva nota que os investidores não priorizam mais apenas as rotas mais rápidas, mas buscam jurisdições que ofereçam estabilidade legal a longo prazo. Esse movimento impulsiona o chamado “capital com propósito” — uma transição de investimentos passivos para fundos e empreendedorismo que estejam ativamente alinhados às prioridades econômicas dos países.

Olhando para as projeções do setor nos próximos anos, a executiva aponta a América do Sul como um mercado de potencial ainda subestimado e enxerga uma evolução estrutural nos serviços prestados. “É possível que a própria indústria seja redefinida. Podemos deixar de falar em ‘migração por investimento’ para adotarmos o conceito de ‘planejamento de mobilidade regulamentada’, onde due diligence, estruturação de patrimônio e planejamento multi-jurisdicional estarão cada vez mais interligados”, conclui a CEO.

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Fonte Monitor Mercantil

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