Amorim alerta para ações militares dos EUA

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Em depoimento na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, argumentou que as ações dos EUA contra o Brasil, como o recente tarifaço, têm motivação política. Segundo ele, a Casa Branca sob Donald Trump tenta subordinar a América Latina aos interesses do país norte-americano.

“O presidente Lula tem sido firme em reiterar que não aceitaremos que medidas unilaterais sejam utilizadas como pretexto para relativizar a soberania nacional ou impor constrangimentos econômicos para o nosso país”, destacou.

O embaixador citou vídeo publicado pela diplomacia estadunidense, na terça-feira (11), em que o governo Trup afirma que a dominação dos EUA sobre a América Latina não deve ser questionada.

Quem tiver visto o vídeo que foi divulgado ontem [terça] pelo Departamento de Estado e lido pelo embaixador dos EUA no Panamá verá que o que se quer fazer justamente é relativizar a soberania dos países latino-americanos em geral. Inclusive, naturalmente, o Brasil.

Celso Amorim

O assessor especial afirmou que a doutrina de segurança daquele país autoriza ações militares em outros países para assegurar o domínio regional.

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O vídeo cita a Doutrina Monroe, do início do século 19, que orientaria as ações do país relativas ao fim da colonização europeia na região. No vídeo, os EUA defendem uma modernização da doutrina. É mostrada a captura militar do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, sob a acusação de narcoterrorismo. Em seguida, é dito que o domínio norte-americano não deve ser questionado.

Celso Amorim disse aos deputados que a oposição do governo brasileiro à classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas tem a ver justamente com a possibilidade de ações que possam ferir a soberania do Brasil.

Segundo ele, o governo estadunidense nunca se manifestou sobre um plano do governo brasileiro de ampliar a cooperação entre os dois países contra as organizações criminosas. Ele citou outro exemplo de que a mudança de visão sobre essas organizações pode justificar ações unilaterais questionáveis.

Celso Amorim rebateu a tese, levantada por deputados bolsonaristas, de que os atritos com a Casa Branca teriam razões ideológicas. Segundo o embaixador, o Brasil está aberto a negociar com qualquer governo, independente das posições políticas.

O embaixador brasileiro acrescentou que o Governo Federal decidiu não conceder vistos diplomáticos a representantes estrangeiros, de qualquer país, até as eleições de outubro. Ele classificou como bizarra a divulgação do indicado para embaixador dos EUA no Brasil antes de o Itamaraty aceitar o pedido, o que contraria os tratados internacionais.

“Os EUA ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui depois que saiu a embaixadora do governo Biden. Ficava aqui um encarregado de negócios. De repente, na proximidade das eleições, às pressas, sem o nosso consentimento, querem creditar outro embaixador”, comentou. Para o governo brasileiro, existe uma tentativa de Donald Trump de interferir nas eleições brasileiras.

Com informações das agências Brasil e Câmara

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Fonte Monitor Mercantil

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