Milhares de pessoas continuavam cruzando, na tarde desta sexta-feira, a fronteira de El Tarajal, em Ceuta, em direção ao Marrocos, enquanto apenas pequenos grupos tentam chegar à Cidade Autônoma a nado, conforme constatou a Europa Press.
De acordo com a última atualização do governo de Ceuta, às 18h (hora local) o número de imigrantes que retornaram a Marrocos a partir de Ceuta havia aumentado para 48.300. Estima-se que entre 50 mil e 60 mil entraram no enclave.
A Delegação do Governo em Ceuta confirmou que 57 corpos foram encontrados desde o início da entrada em massa de imigrantes do Marrocos para a cidade autônoma desde quarta-feira (29). As mortes somam-se a 30 corpos encontrados até então neste ano, totalizando 87.
As cenas chocantes de migrantes enfrentando o mar, alguns com filhos pequenos, e dos corpos na praia são um retrato das consequências da colonização europeia. A ela se somam as crises provocadas por guerras e invasões, notadamente pelos Estados Unidos, e a crise econômica em consequência. A migração do Norte da África para a Europa prossegue em toda sua crueldade, apesar dos imensos riscos.
Em reação ao que ocorre em Ceuta, o Governo da Itália suspendeu temporariamente o Acordo de Schengen (que permite livre trajeto entre os cidadãos da maioria dos países europeus) com a Espanha e ativará controles nas fronteiras.
“O governo decidiu suspender temporariamente o regime de livre circulação previsto pelo Acordo de Schengen nas fronteiras marítimas e aéreas com a Espanha, reintroduzindo os controles de fronteira”, afirmou a primeira-ministra, Giorgia Meloni, nas redes sociais.
O objetivo é “salvaguardar a segurança nacional” e prevenir “possíveis repercussões” para o país. “A medida permanecerá em vigor apenas pelo tempo necessário, com especial atenção para limitar qualquer impacto nos fluxos turísticos de verão”, afirmou ela.
Diante dos corpos, a preocupação dos europeus é não afetar o turismo. Nada mais coerente com os líderes da colonização.

Fonte Monitor Mercantil