“Precisamos Aprender a Linguagem do Negócio”, Diz CHRO da John Deere na América Latina

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Uma das marcas da gestão de Wellington Silvério é tirar o RH do papel tradicional. À frente da área de recursos humanos da John Deere na América Latina, ele lidera uma operação de cerca de 20 mil funcionários distribuídos entre Brasil, México e Argentina em uma companhia que fabrica máquinas agrícolas, florestais e de construção, um setor central para a economia brasileira.

Formado em psicologia, com mestrado em psicologia social focado em bem-estar no trabalho, Silvério defende que o RH precisa participar das discussões sobre produtividade, eficiência e resultados do negócio, sem deixar de lado temas como cultura e desenvolvimento de pessoas. A área só ganha espaço estratégico, diz ele, quando entende o funcionamento da empresa.

“Não basta ter só o discurso de que somos sócios estratégicos do negócio se eu não conheço de negócio. Precisamos aprender a linguagem do negócio, falar de resultado, Ebitda, margem de contribuição e market share.”

Um novo RH

A mudança começou antes da pandemia. Há cerca de sete anos, a John Deere iniciou uma reformulação na área de RH com a adoção de design thinking, squads e ferramentas usadas tradicionalmente na indústria.

Uma delas foi o Value Stream Mapping, método para mapear processos e eliminar desperdícios. A ferramenta passou a ser aplicada também no RH para aproximar a área das decisões da companhia. “Buscamos formas melhores de fazer as coisas e eliminar atividades que não geram valor”, diz.

Hoje, o RH funciona com equipes organizadas em squads e indicadores acompanhados em plataformas de dados. A área ganhou uma estrutura própria de governança, com métricas ligadas ao desempenho do negócio, monitorando desde contratação até desenvolvimento e engajamento dos funcionários.

No início, a transformação encontrou resistência. Segundo Silvério, parte do time via as mudanças como aumento de trabalho. Com o tempo, a integração entre os países começou a mostrar resultado.

“Construímos um só RH dentro de uma só região”, afirma. Antes, Brasil, México e Argentina operavam de forma mais separada. Hoje, funcionam de maneira integrada.

Pressão por resultado e foco nas pessoas

Silvério entrou cedo na área de RH, como estagiário quando estava na faculdade de psicologia. Ele chegou à John Deere em 2015, depois de construir carreira na indústria automotiva, com passagens por Eaton, Delphi e Tupy. Considera que a experiência no setor automotivo influenciou sua forma de liderar por combinar pressão por resultado e foco nas pessoas.

Não basta ter só o discurso de que somos sócios estratégicos do negócio se eu não conheço de negócio. Precisamos aprender a linguagem do negócio.

Wellington Silvério

A passagem internacional pelo México, onde passou cinco anos, também deixou aprendizados importantes. “Cheguei imaginando que, por ser América Latina, a cultura seria a mesma”, conta. “Cometi o erro de chegar com muita velocidade, muito ímpeto, sem primeiro parar para entender o ambiente.”

A experiência o levou a desenvolver o que chama de “leitura de ambiente”: a capacidade de entender contexto, cultura e dinâmica antes de implementar mudanças. “Todo profissional precisa desenvolver essa habilidade antes de querer transformar as coisas.”

Na John Deere, criou a primeira posição dedicada a diversidade e inclusão na América Latina, há oito anos. Hoje, a empresa mantém grupos internos ligados à inclusão racial, comunidade LGBTQIA+ e pessoas com deficiência.

“Não olhamos para pessoas com deficiência apenas pela legislação ou pela cota. Olhamos para como essas pessoas podem crescer dentro da organização”, diz. Para ele, diversidade está ligada diretamente à capacidade de inovação da empresa.

A inteligência artificial também passou a fazer parte da rotina do RH. Segundo Silvério, a companhia implementa agentes de IA em diferentes processos e participa de projetos globais relacionados à tecnologia.

“A inteligência artificial definitivamente não é uma ameaça. É uma grande aliada”, afirma. O objetivo, segundo ele, é automatizar tarefas operacionais para que os profissionais possam dedicar mais tempo às áreas do negócio e à gestão de pessoas.

Depois de mais de duas décadas na área, ele diz continuar movido pela possibilidade de influenciar pessoas e ajudar a construir ambientes de trabalho mais inclusivos e sustentáveis.

“Quantos jovens nós podemos influenciar para que continuem acreditando que as empresas podem manter ambientes mais focados nas pessoas?”, pergunta. “É isso que me move.”

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FonteForbes

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