A eleição de Abelardo de la Espriella para a Presidência da Colômbia redesenhou o mapa político da América do Sul e fortaleceu uma tendência que vem se consolidando desde o fim de 2025, com o avanço da direita sobre governos que, até pouco tempo atrás, integravam o bloco progressista da região.
Embora o resultado ainda dependa da validação final da autoridade eleitoral colombiana, a apuração preliminar aponta vantagem suficiente para confirmar a derrota do senador Iván Cepeda, candidato apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro. Se confirmada, a vitória encerra a primeira experiência de um governo de esquerda na história colombiana.
Mais do que uma mudança doméstica, o resultado tem impacto regional. A partir da posse de De la Espriella, em 7 de agosto, a divisão ideológica da América do Sul ficará equilibrada, com seis governos identificados com a direita e seis alinhados à esquerda ou centro-esquerda.
A mudança reduz o grupo de aliados naturais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vinha apostando na reconstrução de mecanismos de integração regional após o retorno ao Palácio do Planalto. A Colômbia era um dos principais parceiros políticos do governo brasileiro em fóruns como a Unasul e a Celac.
Sequência de vitórias conservadoras
A eleição colombiana não ocorreu de forma isolada. Nos últimos nove meses, a direita acumulou vitórias importantes em países que eram governados pela esquerda.
Em outubro de 2025, Rodrigo Paz venceu a disputa presidencial na Bolívia, encerrando quase duas décadas de protagonismo político do Movimento ao Socialismo (MAS). Dois meses depois, José Antonio Kast derrotou o campo progressista no Chile e levou a direita de volta ao Palácio de La Moneda.
Agora, a Colômbia se soma a esse movimento. A sequência reforça a formação de um bloco conservador que já conta com Javier Milei, na Argentina; Daniel Noboa, no Equador; Santiago Peña, no Paraguai; Kast, no Chile; Rodrigo Paz, na Bolívia; e, agora, De la Espriella.
Peru pode ampliar a vantagem
A tendência pode ganhar um novo capítulo nos próximos dias. No Peru, a apuração segue em andamento, mas Keiko Fujimori mantém uma vantagem estreita sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Com mais de 99% das urnas contabilizadas, a diferença supera 40 mil votos.
Caso a liderança seja confirmada, a direita passará a controlar sete dos 12 governos sul-americanos, abrindo uma vantagem inédita desde o retorno recente do conservadorismo eleitoral na região.
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Onda rosa
O cenário atual contrasta com o que predominava há pouco mais de uma década. Em 2015, oito países da América do Sul eram governados por forças de esquerda ou centro-esquerda. O período representava o auge da chamada “segunda onda rosa”, marcada pela presença de governos progressistas em grandes economias da região.
O quadro começou a mudar nos anos seguintes, mas voltou a favorecer a esquerda após a pandemia. Em 2023 e 2024, vitórias de líderes progressistas em países estratégicos alimentaram a percepção de que o continente voltava a caminhar majoritariamente nessa direção.
Até setembro de 2025, apenas Argentina, Paraguai e Equador possuíam governos claramente identificados com a direita. Menos de um ano depois, o equilíbrio de forças mudou novamente.
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Segurança substitui economia
Um dos elementos comuns às recentes vitórias conservadoras é a centralidade da pauta de segurança pública.
Na Bolívia, no Chile e na Colômbia, o combate ao crime organizado, ao narcotráfico e à violência urbana ocupou espaço semelhante ou superior ao das discussões econômicas.
De la Espriella construiu sua campanha prometendo endurecimento penal, fortalecimento das Forças Armadas e construção de megapresídios. O discurso guarda semelhanças com estratégias adotadas por líderes como Nayib Bukele, em El Salvador, e encontrou terreno fértil em um país que convive há décadas com conflitos armados, narcotráfico e violência política.
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Fonte Infomoney
