Bolívia aprofunda crise e pode caminhar para uma revolução

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Policiais da Bolívia, com escudos, protegem palácio ante manifestações
Polícia da Bolívia ante manifestações (foto de Javier Mamani, Xinhua)

A Bolívia entrou em sua terceira semana consecutiva de bloqueios e protestos nesta sexta-feira, interrompendo o fornecimento de alimentos, combustível e medicamentos, com mais de 50 bloqueios de estradas ativos em 7 dos 9 departamentos (estados) do país, de acordo com relatos da estatal Administração Rodoviária Boliviana.

Os protestos começaram com reivindicações de agricultores, mineiros, professores e operários, mas se transformaram em um desafio mais amplo ao governo do presidente Rodrigo Paz. Grupos alinhados ao ex-presidente Evo Morales e sindicatos agora pedem a renúncia de Paz e a antecipação das eleições.

Grupos empresariais alertaram que a agitação também está causando um impacto econômico crescente. A Câmara Nacional das Indústrias disse que as perdas ultrapassaram US$ 600 milhões devido à paralisação do transporte, à interrupção das cadeias de suprimentos e à redução da atividade industrial.

As cidades de La Paz e El Alto se tornaram o epicentro da crise. Grupos de agricultores, associações de moradores e membros da Central Operária Boliviana (COB) marcharam pelo centro de La Paz em direção às proximidades da Plaza Murillo e da Casa Grande del Pueblo, o que levou a confrontos com policiais, que usaram agentes químicos para dispersar os manifestantes.

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Bloqueio de caminhões na BolíviaBloqueio de caminhões na Bolívia
Bloqueio de caminhões na Bolívia (foto de Javier Mamani, Xinhua)

A crise se intensificou nos últimos dias após operações policiais e militares mobilizadas na cidade de El Alto, vizinha de La Paz, para desobstruir estradas bloqueadas e garantir a entrada de alimentos e combustível no Palácio do Governo.

Mario Argollo, secretário-executivo da COB, reapareceu nesta sexta-feira em um vídeo divulgado enquanto estava foragido para incentivar as manifestações, após a Procuradoria-Geral da República expedir um mandado de prisão contra ele por supostos crimes relacionados aos protestos que paralisaram grande parte da Bolívia nas últimas três semanas, especialmente nas cidades de El Alto e La Paz.

Em tom desafiador e em meio a uma crescente crise política e social, o líder do maior sindicato afirmou que permanece na Bolívia e negou ter se refugiado em Chapare, reduto político do ex-presidente Evo Morales (2006-2019), como, segundo ele, o governo tenta fazer crer.

Embora reconhecendo o crescente descontentamento público com a escassez de alimentos, combustível e outros suprimentos, Argollo culpou o governo pela crise, afirmando que as autoridades não demonstraram “a vontade de resolver os problemas que atualmente assolam nosso país”.

Manifestações na BolíviaManifestações na Bolívia
Manifestações na Bolívia (foto de Javier Mamani, Xinhua)

Na quinta-feira, o presidente boliviano empossou Williams Bascopé como o novo Ministro do Trabalho. A nomeação representa a primeira medida concreta da “remodelação ministerial” anunciada pelo presidente após as três semanas de mobilizações lideradas pelos setores camponês, mineiro, industrial e docente, bem como pela Central Operária Boliviana (COB) e grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales.

Durante a cerimônia de posse no Palácio do Governo, Paz Pereira insistiu no diálogo com os setores mobilizados e assegurou que o governo permanece aberto a negociações com todos os atores envolvidos nos protestos.

Com informações da Agência Xinhua

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Fonte Monitor Mercantil

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