Quantas Mulheres Tem na Sala? Executiva Aponta Como Crescer em Ambientes Dominados por Homens

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Em quase todo o mundo, de algumas décadas para cá, as mulheres conseguiram entrar nas salas de poder. Mas em geral passamos de zero para uma mulher. Falta saltar de uma para várias. Há diversas propostas para mudar esta situação, desde o feminismo guerrilheiro que combate um sistema considerado machista até o pragmatismo exagerado que sugere às mulheres simplesmente se dedicar mais a ele – como o best-seller “Lean In“, da ex-número 2 do Facebook, Sheryl Sandberg (em português, Faça Acontecer).

O grande mérito do livro “The Only Woman in the Room“, da executiva de tecnologia americana Lisa Davis, é equilibrar-se entre esses dois polos, fornecendo lições aprendidas por uma mulher que passou grande parte da carreira sendo a única em uma sala de homens. E isso em praticamente todos os setores: Lisa trabalhou como CIO no serviço público (no Departamento de Defesa americano), na academia (Georgetown University), em grande empresa (Intel) e em ONG (Blue Shield da Califórnia, na área de saúde).

“Não podemos continuar pedindo às mulheres para se jogar quando a estrutura em si é viciada”, alfineta. Suas reflexões, divididas em conceitos como garra, crença (em si mesma) e conexões, valem para qualquer minoria – e mesmo para os homens. Por exemplo: “Talento pode te levar à sala, mas garra é o que te segura quando o trabalho se torna político, solitário, injusto”.

Ela também combate o sentimento de desapego a títulos e cargos. Sim, o que importa é o impacto do seu trabalho. Mas títulos não servem apenas ao ego. Referem-se ao direito de tomar decisões. “Sem o título, seu impacto será sempre limitado pela autoridade de outra pessoa”, escreve. Mulheres tendem, de acordo com ela, a usar uma linguagem suave demais, como se pedissem desculpa por ter opinião. Quando a ficha caiu para ela, abandonou expressões como “talvez a gente devesse considerar” em prol de “isso é o que eu recomendo, e este é o motivo”.

Para combater as dúvidas sobre sua própria competência – que afetam todo mundo, não apenas mulheres –, ela recomenda escrever um diário de vitórias. “Toda vez que tem um sucesso significativo, uma conversa dura que foi bem levada, um projeto entregue, um risco que valeu a pena, eu escrevo. É extremamente útil em avaliação de desempenho. Mas, mais importante, é para mim mesma.”

Mais importante, talvez, seja o capítulo sobre conexões. “Você precisa de exposição. Precisa de conexões fora do seu círculo habitual. Precisa ter gente que sabe como você pensa, não só o que você entrega. E precisa construir essas ligações muito tempo antes do momento em que vai precisar delas.” Isso vale nas duas direções. Se você é chefe, trate de dar oportunidade à sua equipe de aparecer nas salas de tomada de decisões. Estimule seu pessoal. É a melhor forma de aumentar as chances de não ser mais a única nos ambientes de poder.

*Reportagem publicada na edição 140 da revista Forbes, em abril de 2026.



FonteForbes

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