Poupança ainda reina no Brasil, mas perde terreno para CDB, LCI e LCA

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A poupança ainda é o produto financeiro mais usado pelos brasileiros que investem, mas o espaço que ela perdeu nos últimos cinco anos foi ocupado principalmente por CDB, LCI e LCA. A fatia de investidores com dinheiro na caderneta recuou de 75% para 61% entre 2021 e 2025, queda de 14 pontos percentuais, enquanto os títulos privados mais que dobraram sua presença nas carteiras, passando de 8% para 20% no mesmo período. Os dados são do Raio X do Investidor Brasileiro 2025, pesquisa anual realizada pela Anbima em parceria com o Datafolha e divulgada nesta quinta-feira (23).

O movimento coincide com o crescimento de títulos isentos de Imposto de Renda, um atrativo que historicamente era o grande trunfo da caderneta. No entanto, títulos bancários sujeitos a IR cresceram, mostrando que o investidor percebe melhor hoje que o dinheiro pode render mais que na poupança mesmo se for tributado.

O estoque de CDBs, letras de crédito imobiliário e do agronegócio e letras financeiras atingiu quase R$ 5 trilhões ao fim de 2025, crescimento de 17% em relação ao ano anterior, conforme dados do Banco Central. Nas emissões do mercado de capitais, os títulos privados responderam por 88% do volume realizado em 2025, com destaque para debêntures, notas comerciais e fundos de recebíveis (FIDCs).

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Esse avanço não se limita a grandes investidores institucionais. O estudo mostra que o conhecimento espontâneo sobre títulos privados entre a população em geral cresceu de 6% para 14% em cinco anos, tornando-se a segunda categoria mais lembrada nas respostas sem apresentação de lista, atrás apenas da poupança, citada por 17%. Na classe AB, o conhecimento sobre títulos privados já supera o da caderneta, mencionado por 29% e 26% dos entrevistados, respectivamente.

2. Produtos financeiros usados pelos investidores (2021 vs. 2025)

Produto 2021 2025
Caderneta de poupança 75% 61%
Títulos privados (CDB, LCI, LCA, debêntures) 8% 20%
Fundos de investimento 9% 14%
Criptomoedas 7% 11%
Ações n.d. n.d.
Previdência privada n.d. n.d.
Fonte: Raio-X do Investidor Anbima e Datafolha. * Base: apenas investidores com produtos financeiros. n.d. = variação não destacada no relatório.

O crescimento também aparece no uso efetivo e na intenção de investimento. Entre toda a população, a parcela que declara utilizar títulos privados foi de 2% em 2021 para 7% em 2025, trajetória idêntica à da intenção de investir nessa classe em 2026. Para 53% dos que escolhem esses ativos, o retorno é o principal motivador, seguido pela segurança, apontada por 23%, e pela facilidade de investir, mencionada por 21%.

O crescimento dos fundos de investimento, que passaram de 9% para 14% da carteira dos investidores no mesmo período, e das criptomoedas, que foram de 7% para 11%, reforça a tendência de diversificação. O estudo da Anbima aponta que as pessoas que já investem reduziram a dependência da poupança e ampliaram a sofisticação dos seus portfólios de forma consistente ao longo dos últimos cinco anos.

Títulos privados: conhecimento, uso e intenção — população geral

Indicador 2021 2025
Conhecimento espontâneo 6% 14%
Uso atual 2% 7%
Intenção de uso em 2026 2% 7%
Fonte: Raio-X do Investidor Anbima e Datafolha. * Estoque de CDB/LCI/LCA/LF atingiu quase R$ 5 trilhões em 2025, alta de 17% ante 2024 (Banco Central).

Do lado oposto, o saldo nominal da caderneta permaneceu relativamente estável em torno de R$ 1 trilhão no período, com pico de R$ 1,036 trilhão em setembro de 2021 e encerramento de 2025 em R$ 1,022 trilhão, segundo dados do BC. O comportamento sugere que a perda de participação da poupança nas carteiras não decorreu de resgates em massa, mas da migração do fluxo novo de recursos para outras categorias.

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FonteAgência Brasil

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