é na volatilidade que se ganha dinheiro?

Compartilhar:


A redução da taxa de juros pelo COPOM acontece ao mesmo tempo em que o mundo acompanha com preocupação a guerra no Irã. Diante de mudanças tão bruscas no cenário global e consequentemente interno, muitos investidores se perguntam como proteger seus investimentos e, principalmente, como continuar buscando uma rentabilidade acima do CDI sem sofrer com oscilações inesperadas.

É comum acreditar que eventos geopolíticos afetam apenas a renda variável. Porém, a renda fixa também reage — e em magnitudes ainda maiores que a renda variável, a depender do prazo e indexador do ativo. Um único acontecimento internacional pode gerar perdas relevantes, especialmente para quem não entende como os diferentes indexadores funcionam.

O impacto inicial é sempre mais forte

Nos primeiros dias de uma crise, o mercado costuma reagir de maneira mais agressiva. Lembra que há menos de 4 anos houve um início de uma guerra que dura até hoje? Foi assim na guerra da Ucrânia, quando o barril de Brent chegou a ultrapassar os 130 dólares. Depois desse período inicial, o mercado tende a se reorganizar, reavaliar riscos e ajustar projeções, voltando gradualmente as projeções anteriores.

Continua depois da publicidade

Não podemos fazer uma comparação perfeita das circunstâncias, por que naquele momento, tínhamos uma tendência de alta de juros, o que difere do atual momento.

Diante desse cenário, a pergunta inevitável é: o que fazer na renda fixa?

O primeiro passo é entender que a diversificação continua sendo a melhor defesa. Quando a carteira está distribuída entre pós-fixados, prefixados e títulos atrelados à inflação, cada parte reage de um jeito diferente aos choques externos. Isso reduz o impacto das oscilações e mantém o investidor dentro de um nível de risco que ele consegue suportar. A recuperação, porém, raramente é rápida; não é um “V” perfeito, mas um “V inclinado”, que exige paciência.

Por que dizem que é na volatilidade que se ganha dinheiro?

O investidor pessoa física tem uma vantagem importante: pode ajustar sua carteira com mais liberdade do que gestores de fundos, que precisam seguir regras rígidas. Em momentos de volatilidade, essa flexibilidade se transforma em oportunidade. Um bom exemplo é a LTN 2029, cujo juro prefixado subiu mais de 130 pontos-base em poucos dias.

Continua depois da publicidade

Fonte: tesourodireto.com.br (17/03/2026)

Movimentos como esse abrem espaço para migrar parte do pós-fixado para o prefixado — sempre de forma gradual, já que as taxas podem continuar subindo por algum tempo. Muitas vezes o investidor se empolga, achando que é a última oportunidade que ele possuirá antes da taxa de juros começar a cair e é aí que ele se dá mal.

Na pandemia vimos que gestores experientes, cometeram erros importantes, achando que já tinham chegado ao fundo do poço, só que o poço era ainda mais fundo.

Eu vou abrir um parêntese, porque estamos falando de conceitos extremamente importante na renda fixa, a marcação a mercado,  e se você não está familiarizado com esse tipo de oportunidade e conhecimento, vale buscar mais conhecimento. Escrevi o livro “Renda Fixa: o que ninguém te contou!” exatamente para que os investidores pessoa física, consigam entender e pôr em prática o que você está lendo agora

Continua depois da publicidade

Já os títulos atrelados à inflação tendem a ser menos interessantes nesse momento. Isso acontece porque a inflação nesses papéis é pós-fixada, então você que possui títulos em inflação, está protegido, mas não está aproveitando a volatilidade do efeito inflacionário. É natural que há aumento de risco no contexto global e o aumento de risco impacta o juro real. Mas nos ativos prefixados o impacto é duplo, a inflação implícita e o juro real. Em períodos de estresse, os prefixados costumam oferecer um ponto de entrada mais claro.

E para qual prazo devemos investir?

Outro ponto essencial é o prazo. Em um cenário em que a inflação está sendo pressionada por um evento externo — como uma guerra — e sabemos que esse impacto tende a se acomodar com o tempo, faz mais sentido investir em títulos de médio prazo, de até quatro anos. Prazos muito longos começam a carregar riscos diferentes, ligados às contas públicas e à política fiscal, que nada têm a ver com o conflito internacional.

Em resumo, navegar por momentos de incerteza exige calma, diversificação e ajustes inteligentes. O mercado sempre se acomoda, e quem entende o movimento consegue transformar a volatilidade em oportunidade, em vez de prejuízo.



FonteAgência Brasil

Artigos relacionados

A boca fala antes do corpo: por que o dentista pode identificar doenças antes mesmo dos sintomas

Muito além do sorriso, a cavidade bucal pode revelar sinais precoces de alterações hormonais, inflamações, distúrbios do sono e outras condições sistêmicas, reforçando o papel do cirurgião-dentista na prevenção e no cuidado integral da saúde.

Paula Visoná: a especialista que transforma estudos de futuro em estratégia para empresas, cidades e sociedade

Com mais de duas décadas de atuação entre pesquisa, academia e mercado, Paula Visoná se destaca ao traduzir...

Mulheres conquistam mais renda, mas ainda enfrentam desafio para transformar ganhos em patrimônio

Livro de Lisa Dossi propõe uma nova visão sobre educação financeira, independência econômica e construção de riqueza feminina As...

Fértil Comunicação aposta em Inteligência Artificial para ampliar atuação no mercado nacional e internacional

CEO Brunno Saraiva investe em especialização para conduzir nova fase de inovação, tecnologia e comunicação estratégica. A transformação digital...