
A consistência de Maria Silveira não foi construída apenas por técnica, mas por uma visão integrada de mercado que combina leitura macro, estrutura institucional e timing cirúrgico de entrada. Embora muitos traders iniciem buscando setups rápidos, ela defende que a base da operação começa muito antes do clique.
Ao participar do episódio 12 da 3ª temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast, ela explicou que a grande virada ocorreu quando passou a enxergar o preço como uma narrativa coerente. “O contexto é crucial. É você entender além do que os olhos podem ver”, afirma.
A lógica estrutural de Elliott
Segundo Maria, Elliott não é um indicador, mas uma forma de compreender o fluxo natural do preço. Ela utiliza a teoria como ferramenta de leitura de grandes movimentos, não como gatilho. Para isso, classifica o gráfico em três categorias: micro, mediano e macro. O macro organiza o ciclo mais amplo; o mediano revela onde o preço está dentro desse ciclo; e o micro define a ação do trader.
Ao entender onde o preço se encontra dentro da estrutura, ela delineia cenários prováveis e elimina impulsos de operar no “achismo”. A complexidade da teoria, muitas vezes considerada inviável por traders novatos, é para ela uma vantagem competitiva. “O melhor dos mundos em Elliott é decorar cada detalhe. Se você não decorar, você não aplica Elliott jamais”, explica.
Dessa forma, para ela, Elliott torna-se o mapa. No entanto, o caminho só se define quando outras camadas entram em jogo.
Wyckoff e o comportamento do preço
Enquanto Elliott fornece a lógica estrutural, Wyckoff dá vida à leitura comportamental. Maria usa conceitos como redistribuição e captura de liquidez para interpretar o “porquê” do movimento. Cada oscilação, para ela, representa a ação de players posicionados em busca de desequilíbrios.
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Essa abordagem permite refinar cenários e antecipar regiões onde o preço tende a reagir. Em vez de esperar por um sinal tardio, ela identifica intenções de compradores e vendedores antes que a maioria perceba. “É entender a história que o preço te conta”, observa.
SMC: a camada institucional
A terceira camada de seu método é o SMC (Smart Money Concepts), especialmente a leitura de liquidez, order blocks e mitigação. Para Maria, o mercado se movimenta em busca de liquidez, e ignorar isso é operar no escuro. Ela identifica blocos de ordens válidos apenas quando cumprem três pré-requisitos: originam movimento forte, quebram estrutura e são mitigados após captura de liquidez.
Com isso, a filtragem evita a marcação aleatória de blocos que muitos traders utilizam sem critério. “O mercado é uma busca constante por liquidez. Onde está o dinheiro? Está nos fundos, está nos topos”, explica.
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Quando Elliott aponta tendência, Wyckoff sugere comportamento e SMC revela intenção institucional, a confluência forma a estrutura que guia suas decisões.
A entrada começa no micro
Na prática, diferentemente da maioria, Maria opera executando no 1 minuto. Não porque deseja velocidade, mas porque a precisão do micro permite stops menores, assimetria maior e definição exata do gatilho.
Entretanto, ela reforça que o micro só faz sentido se estiver alinhado ao macro. É esse alinhamento que determina o momento certo de agir. Para isso, utiliza um princípio que chama de alinhamento de fluxo: identificar o ponto em que o preço, no 1 minuto, deixa de fazer topos e fundos ascendentes e passa a estruturar sequência descendente (ou vice-versa).
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Esse movimento é confirmado pela quebra de estrutura — o famoso CHoCH — que valida a reversão no micro. Só então o trader deve buscar o reteste para entrar com risco reduzido. “Eu vendo quando o preço está subindo e compro quando ele está caindo. Eu tenho que vender quando está caro”, explica.
Além disso, outro ponto central do método é a distinção entre rompimentos reais e falsos. Maria ensina que pavios não rompem estruturas — eles apenas violam. Para ela, o rompimento deve ocorrer pelo corpo do candle, ou seja, pelo fechamento. Sem isso, não há quebra de estrutura, e qualquer entrada se torna precipitada. “Pavio não rompe nada. Pavio só viola”, conclui.
Essa leitura elimina grande parte dos stops em cenários de volatilidade e evita entradas impulsivas logo após movimentos rápidos.
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Condução técnica do trade
Uma vez posicionado, Maria conduz a operação utilizando dois modelos: pivô a pivô e barra a barra, sempre no mesmo tempo gráfico da entrada. O pivô a pivô permite acompanhar o movimento sem devolver lucro excessivo; já o barra a barra só entra em cena após o preço pagar pelo menos três vezes o risco inicial. Essa metodologia protege o capital e maximiza o ganho quando a tendência avança.
Para a especialista, consistência é resultado de quatro pilares: contexto (Elliott + Wyckoff + SMC), liquidez (captura e mitigação), gatilho (CHoCH, reteste, alinhamento de fluxo) e execução disciplinada (1 minuto, stop justo, condução técnica)
Com isso, sua abordagem reforça que o trade não é um conjunto de estratégias isoladas, mas uma integração lógica entre leitura estrutural, intenção institucional e precisão operacional.
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FonteCâmara dos Deputados