Novos recordes com mais entradas de investidores estrangeiros, mas a Bolsa ainda está atrativa? A cada nova alta, a dúvida se renova, com questionamentos sobre até onde o benchmark da Bolsa, o Ibovespa, é capaz de ir.
Apenas nas primeiras três semanas do ano, o Ibovespa subiu 11% em reais e 15% em dólares, impulsionado por fortes investimentos de estrangeiros. Os estrangeiros compraram o equivalente a R$ 15,8 bilhões em ações locais somente neste ano, tornando-se o maior fluxo (comprador líquido) em um único mês no último ano.
O movimento não ocorre só no Brasil – os investimentos em mercados emergentes globais foram muito fortes na segunda metade de 2025 e vêm se acelerando. Somente em janeiro, os investimentos atingiram US$ 17,5 bilhões, aumentando de US$ 13,1 bilhões em dezembro de 2025 e US$ 9,0 bilhões em novembro.
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“Os investimentos em janeiro para os fundos GEM equivalem a quase metade do observado em 2025. Os investidores que buscam diversificação além EUA estão reorganizando suas carteiras e aumentando a exposição aos fundos GEM. A maioria dos principais pares latino-americanos do Brasil também apresentou um desempenho muito bom em janeiro”, aponta o BTG Pactual.
O Santander ressalta que o sentimento atual é positivo para mercados emergentes e no nível mais forte em anos, com entrada de novos investidores globais. O Brasil segue como um dos principais destinos. Porém, veem os investidores mais cautelosos após a forte valorização recente.
Os juros seguem como o principal gatilho: muitos aguardam o primeiro corte efetivo da Selic para aumentar exposição. A expectativa majoritária é de que o movimento de cortes se inicie em março.
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Neste cenário, dado o tamanho de seus ativos, os estrangeiros tendem a procurar ações com liquidez suficiente para permitir que entrem e saiam facilmente. No Brasil, aponta o BTG, há um conjunto limitado de nomes de grande capitalização e liquidez suficiente. Ao longo de 2025, as principais compras líquidas concentraram-se em alguns nomes: Vale (VALE3), Eneva (ENEV3), Sabesp (SBSP3) e Axia (AXIA3). Em 2026, Vale, Petrobras (PETR3;PETR4), MBRF (MBRF3), PRIO (PRIO3) e Eneva são os principais nomes, aponta.
Olhando para frente, na visão dos estrategistas do Santander, a avaliação da Bolsa ainda atrativa, porém com maior foco em timing e seletividade. Enquanto isso, os riscos político e fiscal continuam no radar, limitando fluxos de longo prazo.
O Santander avalia que, apesar do forte rali de ações observado ao longo de 2025 e início de 2026, os retornos implícitos no universo de ações brasileiras seguem relativamente atrativos. A mediana da Taxa Interna de Retorno (TIR) implícita na sua cobertura é de 19% no cenário base e 27% no cenário otimista, ambos até o fim de 2028.
Quando olha os números agregados, os retornos implícitos mostram um conjunto de oportunidades cada vez mais seletivo, diz o Santander.
Enquanto alguns setores ainda exibem Taxas Internas de Retorno confortavelmente acima do custo de oportunidade local (morando uma boa oportunidade), outros já aparecem em linha ou abaixo desse patamar — o Santander indica que, neste caso, boa parte da reprecificação ali já aconteceu.
Setorialmente, as oportunidades mais assimétricas se concentram em Educação, Varejo e Transporte. Esses segmentos oferecem uma assimetria mais favorável, com retornos implícitos bem acima do custo de oportunidade mesmo em premissas conservadoras. Em contrapartida, os retornos implícitos em setores exportadores (Alimentos & Bebidas, Materiais e Óleo & Gás), Utilities e TMT (telecom, mídia e tecnologia) são menos atraentes.
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Assim, olhando as oportunidades, o Santander aponta que vários nomes se destacam por apresentar perfil de risco-retorno assimétrico, seja por valuations deprimidos ou por melhora de fundamentos ainda pouco reconhecida.
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Entre as ações, estão: C&A (CEAB3), SmartFit (SMFT3), Cyrela (CYRE3), Inter (INBR32), Direcional (DIRR3), Eneva (ENEV3), Localiza (RENT3), Vivara (VIVA3), Cury (CURY3) e Rede D’Or (RDOR3). Por outro lado, seguem vendo nomes exportadores, especialmente em commodities, como menos interessante, enquanto bancos exibem TIRs implícitas mais próximas do custo de oportunidade local, em média.
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Olhando do ponto de vista mais macro sobre a continuidade das altas da Bolsa brasileira o BTG aponta que os fluxos para o mercado brasileiro são multifatoriais, impulsionados pelo cenário macroeconômico local e global, pelo apetite geral pelo risco e pela dinâmica política, especialmente em um ano eleitoral como 2026. Assim, avalia que um ciclo de flexibilização monetária no Brasil ajudaria a manter o ritmo atual de investimento em ações, enquanto os desdobramentos eleitorais podem reforçar ou prejudicar essa tendência, dependendo do impacto percebido pelo mercado.
FonteCâmara dos Deputados