O que a Venezuela mostrou para os mercados globais nesta semana

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Em menos de uma semana do ano novo, a Venezuela foi alçada a protagonista de uma crise geopolítica mundial. Após ser bombardeado pelos Estados Unidos, o país sulamericano teve seu presidente, Nicolás Maduro, capturado pelo mesmo governo. A reviravolta política, ainda não totalmente digerida, virou o centro das atenções do mundo – e do mercado.

O ataque dos EUA ao país foi justificado pelo interesse do presidente Donald Trump sobre as reservas e produção do petróleo venezuelano. A investida repercutiu em todas as direções, levando os analistas a reavaliarem o papel da Venezuela nos mercados globais de energia.

O primeiro ponto a ser estudado foi a própria produção do petróleo e a realidade das reservas nacionais. Com o declínio histórico de investimento na região, que passou de U$ 8 a 9 bilhões anuais para os atuais U$ 2 bilhões, a produção venezuelana despencou.

Atualmente, a Venezuela produz cerca de 1,1 milhão de barris por dia, contra os 3 milhões do início dos anos 2000. As reservas estão em torno de 24 bilhões de barris, considerando os níveis atuais do preço do Brent, a cotação do petróleo. Essas reservas estão concentradas principalmente na região de Maracaibo (oeste) e na Faixa do Orinoco (leste).

Para os analistas do Bradesco BBI, a recuperação do país como uma potência do petróleo vai depender de uma retomada extensiva nos investimentos. “A concretização desse aumento nos investimentos dependerá, provavelmente, do estabelecimento de um ambiente estável e favorável aos negócios na Venezuela, o que provavelmente não ocorrerá da noite para o dia”, afirma.

Cenários possíveis

Algumas consultorias já estipulam cenários possíveis para o futuro da produção do país – sem um consenso claro entre elas. A Wood Mackenzie prevê um aumento de 200 a 300 mil barris por dia nos próximos meses, com um possível retorno a 2 milhões de barris por dia dentro de dois anos. Já a Rystad Energy tem uma perspectiva mais conservadora, prevendo apenas 200-300 kbpd nos próximos 2-3 anos. Para a consultoria, o número de 2 milhões de barris por dia seria uma possibilidade somente a partir de 2030.

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Para chegar no cenário da Rystad, algumas condições seriam necessárias, segundo os analistas. Em primeiro lugar, garantias do governo dos EUA. Em simultâneo, seria necessária uma reestruturação da PDVSA e uma série de alterações na Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos. Com investimentos totais de U$ 183 bilhões nos próximos 15 anos, a Rystad ainda acredita que a produção poderia retornar aos 3 milhões de barris por dia até 20240.

Para o cenário estipulado pela Wood Mackenzie, a recuperação de 200-300 mil barris por dia nos próximos meses se baseia na premissa de que alguns poços inativos podem necessitar apenas de intervenções básicas, que poderiam ser financiadas organicamente por meio de fluxos de caixa de exportação. Já para alcançar os 2 milhões de barris por dia ou mais, seria necessário investimentos significativos, provavelmente dependentes de capital estrangeiro.

Desafios atuais

Atualmente, a produção de petróleo na Venezuela inclui grandes empresas como Chevron, Repsol e Eni, além de empresas russas e chinesas (CNPC) que operam em joint ventures com a PDVSA (que geralmente detém uma participação de 51%), de acordo com a Lei de Hidrocarbonetos da Venezuela. No passado, companhias como a Shell, Total e ConocoPhillips também já operaram no país. Para o BBI, atrair essas gigantes será um desafio crucial para a recuperação da produção de petróleo no país.

A maior parte dessa produção, hoje, é de petróleo bruto pesado. De acordo com o relatório, este tipo de petróleo tem sido priorizado na última década pela sua importância estratégica para refinarias americanas e chinesas durante um período de subinvestimento. Apesar disso, antes de 2016, os tipos pesados ​​representavam apenas cerca de 40% da produção, com os tipos médios compondo os 60% restantes

Conforme os analistas, ainda não se sabe qual tipo de petróleo puxará a recuperação do país. De acordo com o banco, se a Chevron liderar essa recuperação, é provável que os tipos mais pesados ​​dominem o mercado, devido às características dos ativos da Chevron e à importância estratégica desse petróleo. Nos EUA, a produção de petróleo pesado é escassa.

Em notícias recentes, o presidente Trump já anunciou que se reunirá com executivos do setor petrolífero na Casa Branca para discutir a Venezuela. Ao mesmo tempo, representantes das empresas petrolíferas internacionais já planejam visitas a ativos físicos no país.

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Fonte Infomoney

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