BRASÍLIA – O governo brasileiro vai avaliar os próximos passos em relação à salvaguarda sobre a carne bovina anunciada nesta quarta-feira, 31, pela China, afirmou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.
As medidas podem incluir novas conversas bilaterais com a China para eventuais compensações, e se necessário, o Brasil poderá ainda recorrer aos fóruns internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo o secretário.
“Ainda precisamos avaliar todas as documentações e veremos os próximos passos e, havendo necessidade, recorreremos aos fóruns internacionais e mesmo em novas discussões bilaterais com a China para eventuais compensações, conforme prevê o Acordo sobre Salvaguardas”, disse Rua, ao Estadão/Broadcast.

Ministério da Agricultura Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Uma das alternativas já em estudo pelo governo é a possibilidade de exclusão da cota para carga que está em alto-mar, a caminho do mercado chinês anteriormente ao início da medida. “Vamos avaliar alternativas como, por exemplo, a internacionalização do que está em águas neste momento e conversar com as autoridades chinesas”, acrescentou o secretário.
Nesta quarta-feira, o governo chinês anunciou que vai adotar medidas de salvaguarda contra a importação de carne bovina com cotas específicas por país para importação de carne bovina com a imposição de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país. As medidas entram em vigor nesta quinta-feira, 1.º, e serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028.
O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais em 2026. O volume alcança 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,154 milhão de toneladas em 2028. A título de comparação, neste ano, no acumulado até novembro, o País já exportou 1,499 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, somando US$ 8,028 bilhões.
Segundo Rua, o Brasil “naturalmente” gostaria da alocação de uma cota maior, entretanto, o volume seguiu a média exportada dos últimos 36 meses. “O período determinado pelos chineses foi 36 meses, sendo o último mês junho de 2024 e, portanto, o número que coube ao Brasil foi de 1,106 milhão de toneladas. Neste período determinado, de fato, as exportações do Brasil foram próximas de 1,1 milhão de toneladas”, explicou o secretário. Ele lembrou que a salvaguarda tem justamente como objetivo frear as importações a favor da produção doméstica.
Para Rua, apesar da cota destinada ao Brasil ficar inferior ao volume exportado em 2025, que deve alcançar cerca de 1,65 milhão de toneladas, este ano foi “fora da curva das exportações para a China e com tarifaço”. “É uma cota distribuída ao longo do ano, sem disrupção do mercado e dando tempo para conversarmos novamente com as autoridades chinesas. Não é uma boa notícia, mas não é um caos”, pontuou.
O secretário acredita em redirecionamento para outros mercados da carne que potencialmente deixará de ser exportada para a China a fim de minimizar os impactos ao fluxo comercial da proteína. “O Brasil abriu mais de 20 mercados para a carne bovina nos últimos três anos e sete depois do tarifaço dos Estados Unidos. Obviamente, o mercado chinês é de uma magnitude diferente, mas estes mercados abertos ajudarão a alocar eventuais volumes que seriam destinados à China”, ponderou.
A China é o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por 50% de tudo que foi exportado neste ano. Até novembro, o País já exportou 1,499 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, somando US$ 8,028 bilhões.
Fonte ONU