Payroll decepciona mercado dos EUA

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Gestor: A fraqueza ficou concentrada no setor público

O resultado da folha de pagamento dos Estados Unidos (payroll), principal relatório mensal sobre o mercado de trabalho e que mede a criação de vagas e a taxa de desemprego fora do setor agrícola, frustrou o mercado. Divulgado nesta sexta-feira, o payroll veio abaixo das expectativas do mercado com a criação líquida de 29 mil postos de trabalho.

No entanto, o resultado pode não representar somente impacto negativo “É mais construtivo do que o número cheio sugere”, argumenta Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital Nova York. “A fraqueza ficou concentrada no setor público”, afirma acrescentando que o setor privado adicionou 46 mil empregos.

Os segmentos de bens mantêm um trend positivo. A construção adicionou 11 mil postos e a manufatura, 9 mil, sendo 8 mil em bens duráveis e mil em bens não duráveis.

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Os serviços privados somaram 28 mil novos empregos, dos quais 20 mil vieram de serviços privados e educação e saúde. Segundo Flores, o dado mais marcante está na abertura setorial da taxa de desemprego. “Em mineração, extração de pedreiras e extração petróleo e gás, setor diretamente impactado pelo conflito e pela alta do petróleo, a taxa de desemprego caiu de 6,8% para 0,9% entre setembro de 2025 e setembro de 2026, uma queda expressiva”.

O gestor cita que a indústria como um todo acompanha esse movimento, ainda que em menor intensidade. Na construção, a taxa recuou de 3,8% para 3,5%, e na manufatura, de 3,7% para 2,9%. São números que apontam para um aumento da atividade industrial americana, mesmo com a taxa de desemprego agregada subindo para 4,2%. “No conjunto, vejo que o dado aponta para um mercado de trabalho que segue estável, ainda que em ritmo mais lento, mesmo com a taxa de desemprego subindo de 4,1% para 4,2%”, analisa Flores.

Para a política monetária, ele acredita que o payroll mais fraco reduz, na margem, a probabilidade de mais uma alta de juros na próxima reunião do FOMC (Federal Open Market Committee ou Comitê Federal de Mercado Aberto), órgão do Federal Reserve, banco central dos EUA, responsável por definir a política monetária. Flores soma isso com o último dado de inflação, o PCE (Personal Consumption Expenditures, índice de preços de gastos com consumo pessoal), em 3% após revisões. O gestor calcula que o principal risco é o próximo CPI (índice de preços ao consumidor), que segue como fator decisivo para um novo aumento de juros nos EUA. Em agosto, o CPI subiu 0,4%.

Sobre o impacto do resultado do payroll, Flores descreve que a reação do mercado foi imediata. “Com a menor probabilidade de alta de juros, o DXY (índice do dólar dos EUA) recuou de 102,07 para 101,85 e o yield do Treasury de 10 anos caiu de 5,22% para 5,17%. Juros longos mais baixos dão, na margem, sustentação tanto à bolsa americana quanto à brasileira”, resume.

O DXY é um indicador que mede a força e o valor do dólar americano em relação a uma cesta de moedas de países desenvolvidos.

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Fonte Monitor Mercantil

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