A Apple começa nesta terça-feira (1º) um novo período na história da empresa. John Ternus assume o cargo de gerente executivo (CEO), em uma substituição que ocorre após 15 anos de Tim Cook ocupando o cargo.
O novo CEO terá como primeira grande missão a apresentação da próxima conferência da empresa, marcada para o dia 9 de setembro e que deve ter o iPhone dobrável como o grande destaque.
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Cook segue na companhia, embora sem atuação direta na gestão: ele será presidente executivo, ajudando inclusive na relação da marca com políticos.
A troca de gestão, além de rara na Apple das últimas décadas, pode significar também mudanças nas prioridades. Embora Ternus não tenha feito qualquer declaração ou promessa, a especialidade do executivo e o cargo anterior dão algumas pistas sobre o que esperar dessa nova fase da empresa.
John Ternus: o “cara do hardware”
Antes de assumir a gerência executiva da empresa, Ternus ocupava a posição de vice-presidente sênior de engenharia de hardware na Apple. Isso significa que ele foi por anos o responsável por chefiar as equipes de diferentes eletrônicos da marca, começando com os Macs e depois passando para iPhones e demais projetos.
- Com formação em engenharia mecânica, o executivo foi considerado chave na transição da Apple processadores Intel nos Macs para o Apple Silicon, com design da própria companhia;
- Ternus é considerado especialista em hardware tanto do ponto vista técnico quanto em aspectos mais gerais de um produto;
- Em termos de personalidade, ele é considerado discreto e racional em decisões, além de conhecer a fundo praticamente todo o catálogo de eletrônicos da empresa;
- Já perto da transição de cargo, o novo CEO ainda supervisionou os próximos grandes lançamento da companhia, como o próprio iPhone Ultra.
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O esperado, portanto, é que a Apple tenha ainda mais foco em eletrônicos a partir de agora, com uma supervisão mais rigorosa de um executivo experiente para avaliar elementos como especificações técnicas, design e funcionamento junto ao software.
Ternus também pode investir mais em pesquisa e desenvolvimento e, se achar necessário, até fazer mais aquisições pontuais onde a marca não está desenvolvida o bastante.
Entre as possibilidades futuras de produto, algumas já em desenvolvimento, a Apple estuda o lançamento de óculos inteligentes mais simples, para rivalizar com modelos como os Ray-Ban Meta.
A companhia também estaria preparando um retorno ao mercado de automação doméstica, começando pela chegada de uma mistura de tablet com alto-falante inteligente (um rival do Amazon Echo Studio que pode ser chamar HomePad), um novo HomePod e outra geração da Apple TV.
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Só que Ternus também terá uma tarefa difícil com um produto já existente. Ele precisa decidir o que fazer com o Apple Vision Pro, headset imersivo de vendas baixas, desenvolvimento caro e cada vez menos importância no catálogo, rendendo até demissões recentes na empresa.
Além disso, até por ser tão focado em produtos e menos em outros aspectos da gestão, outros executivos de alto escalão da Apple devem ter maior importância na nova fase — em especial os gerentes do jurídico, de finanças e operações.
A corrida em IA
Ternus também terá o desafio de tornar a Apple relevante no mercado aquecido de inteligência artificial (IA), talvez o grande ponto fraco de Cook do ponto de vista mercadológico.
É a nova administração que será a responsável por implementar e manter a Siri AI, que saiu do papel após meses de atraso e problemas de desenvolvimento, só resolvidos com uma parceria com o Google.
Ao mesmo tempo, ela sofreu com perda de talentos, tanto de funcionários do time de IA atraídos por rivais mais relevantes no setor quanto de executivos veteranos, já perto da aposentadoria na empresa.
Entre os produtos, fora a implementação da nova Siri em hardwares já existentes, a companhia tem como projeto ousado para o futuro a chegada de fones de ouvido AirPods com uma câmera embutida.
O novo CEO também é conhecido por implementar IA no ambiente de trabalho: foi ele que decidiu usar plataformas automatizadas para “acelerar o desenvolvimento de produtos” junto de testes de funcionamento e qualidade de hardware.
Serviço e valor de mercado: o legado de Tim Cook
Por fim, e apesar de todas as diferenças para o antecessor, Ternus também precisará manter a Apple no mesmo patamar alto em que ela se encontra.
Cook estabeleceu a companhia como uma referência em serviços com receitas recorrentes, com ferramentas como o Apple Pay, o Apple Music e o streaming Apple TV.
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Além disso, Cook manteve a venda de eletrônicos em alta no principal produto da empresa, o iPhone, e ajudou a elevar o valor de mercado dela para US$ 5 trilhões pela primeira vez, estabelecendo a marca acima dos US$ 4 trilhões de forma estável.
Apesar de um último balanço financeiro positivo, a Apple teve uma leve redução no crescimento em serviços, algo que não agrada os investidores. Outro ponto de preocupação que agora será responsabilidade do novo CEO é a atual crise de chips de memória, que afeta toda a indústria e já levou a marca a aumentar os preços de eletrônicos.
Fonte Tecmundo