Entre a escuta, a ciência e as estações da vida feminina, Dra. Thaís Mendes Serafim constrói uma ginecologia que enxerga além do sintoma.
Art Nouveau: quando a transformação se torna linguagem
Larissa Laurianno Brand Artist e Diretora Criativa
FÓRMA – Governança Estética e Curadoria de Legado
Há movimentos artísticos que retratam flores. O Art Nouveau fez algo mais profundo: permitiu que tudo florescesse.
No fim do século XIX, suas linhas abandonaram a rigidez e começaram a percorrer paredes, joias, vitrais e corpos como ramos que buscavam a luz. A natureza deixou de ser apenas inspiração para se tornar estrutura. Flores, folhas e curvas atravessavam arquitetura, ilustração e objetos como se tudo pertencesse ao mesmo organismo. Não havia uma fronteira rígida entre forma e movimento: cada detalhe parecia nascer do anterior, transformando-se sem perder a própria essência.
O corpo feminino também não existe em linha reta. Ele atravessa ciclos, desejos, silêncios, maternidades, pausas e recomeços. Amadurece, gesta, cansa, transforma-se e ainda assim permanece inteiro. Cada fase desenha uma nova forma; nenhuma existe isolada da anterior.
Talvez por isso a medicina dedicada à mulher exija mais do que a leitura de um exame. Exija presença para perceber aquilo que o corpo já tenta dizer, mesmo quando ainda faltam palavras. Foi nesse território de escuta, continuidade e transformação que encontrei o trabalho de Thaís Mendes.
Uma mulher não é apenas um sintoma
No trabalho de Thaís, diferentes temas clínicos aparecem conectados por uma mesma convicção: a mulher precisa ser enxergada por inteiro. Adolescência, planejamento reprodutivo, contracepção, maternidade, sexualidade, emagrecimento e menopausa não são capítulos desconectados. São estações de uma mesma história.
Mas a história de Thaís não começa quando ela se torna médica. Começa antes, quando ainda era a mulher sentada diante de outros médicos, tentando encontrar palavras para um corpo que pedia para ser ouvido.
Durante anos, ela entrou em consultórios ginecológicos, descreveu sintomas e saiu sem respostas que alcançassem tudo o que sentia. Havia questões íntimas, relações difíceis, cansaços que não cabiam nos exames e uma sensação persistente de não reconhecer o próprio corpo. O que ela vivia não era uma queixa isolada. Era uma história inteira tentando atravessar a porta da consulta.
Foi dessa ausência que nasceu a presença que hoje oferece às suas pacientes.
Thaís escolheu construir o lugar que um dia também precisou encontrar: uma consulta em que a história chega antes do diagnóstico e nenhuma mulher precisa diminuir o que sente para caber no tempo do relógio.
Antes de oferecer respostas, ela procura compreender o contexto. Rotina, sono, relações, emoções, mudanças hormonais e experiências de vida entram na conversa porque nenhum exame, sozinho, consegue narrar tudo o que uma mulher vive.

Quando a experiência também ensina a cuidar
Thaís Mendes Serafim | Ginecologista | CRM 33124 • RQE 25163
Ajudo mulheres a emagrecer e equilibrar os hormônios.
Menopausa • Emagrecimento • Lipedema • Estética íntima
Sou ginecologista e tenho pós-graduação em sexualidade feminina. Não escolhi essa especialização para atuar com terapia sexual, mas para compreender melhor aquilo que chega quando uma mulher fala de desejo, de relações, de casamento, de uma intimidade que muitas vezes existe, mas ainda não encontrou palavras.
Ao longo da minha trajetória, tornou-se impossível olhar para a mulher em partes. Os hormônios, a fisiologia e as transformações do corpo passaram a fazer parte de uma mesma história. Foi assim que me aproximei da transição menopausal e da reposição hormonal.
Mas meus estudos nunca começaram apenas nos livros. Eles tinham nomes e rostos: minha mãe e minha madrinha, que sofriam com os sintomas da menopausa, passavam por diferentes médicos e ainda não encontravam respostas para aquilo que viviam.
Com o tempo, percebi que quase todas as minhas buscas por conhecimento nasciam do mesmo lugar: a tentativa de cuidar de alguém que eu amava.
Minha madrinha sempre foi atleta. Fez do movimento uma rotina e do cuidado uma escolha. Ainda assim, depois dos 40 anos e, principalmente, com a chegada da menopausa, seu corpo começou a responder de outra maneira. Perder peso se tornou difícil, e foi tentando ajudá-la que me aproximei do emagrecimento, do cuidado intestinal e de uma visão mais inteira sobre a saúde.
Não queria oferecer uma resposta isolada. Queria compreender aquela mulher, sua história e a estação que seu corpo atravessava.
Mais tarde, essa mesma busca atravessaria o meu próprio corpo.
Depois do nascimento da minha filha, eu estava 21 quilos acima do peso habitual. Meu marido sempre foi um grande parceiro e nunca fez disso uma questão. A distância era sentida por mim: nas roupas de que gostava e já não conseguia vestir, nas peças que escolhia em uma loja e não cabiam, na impressão silenciosa de ter me afastado de uma parte de quem eu era.
Por não confiar em respostas fáceis, voltei ao estudo. Aprofundei-me, conduzi o meu processo e perdi os 21 quilos de uma forma que considerei saudável, sem flacidez e sem carregar no rosto uma aparência adoecida.
Depois de mim, vieram minha mãe, meu pai e o marido da minha madrinha. Vieram também os maridos das minhas pacientes. O cuidado foi ampliando seu círculo, como se cada pessoa alcançada conduzisse naturalmente à próxima.
Uma medicina para todas as estações
A mulher continua sendo o centro do meu trabalho, mas não consigo enxergá-la por recortes. Estética íntima, hormônios, emagrecimento e menopausa pertencem ao mesmo organismo e a uma vida que continua existindo para além do consultório.
A sexualidade também atravessa todos esses lugares. Ela passa pela autoestima, pelo autocuidado, pelas relações, pelo afeto, pela admiração e pela autonomia.
Por isso, não adianta um caminhão de testosterona se essa mulher vive uma relação ruim, se não se sente amada ou admirada. Antes de qualquer prescrição, existe uma história. E, muitas vezes, é essa história que precisa ser ouvida primeiro.
Não envolvo a medicina em uma ideia de sacerdócio. Ela é o meu trabalho, o meu sustento e é por meio dela que também cuido da minha filha. Ser remunerada pelo que faço não diminui o amor pelo ofício; apenas reconhece sua dimensão real.
Mas o trabalho não encerra o encontro.
Diante de mim existe uma paciente. Para ela, aquela consulta pode transformar alguma parte da vida pela melhora de um corrimento, pelo alívio dos sintomas da menopausa, pelo emagrecimento ou mesmo por uma conversa, um conselho e o acolhimento diante de uma decisão importante.
Gostaria que minhas pacientes também me percebessem como alguém próxima, quase como uma amiga: uma médica que oferece conhecimento técnico sem retirar dele a presença humana.
Competência, empatia, resolutividade e acolhimento são palavras que desejo associadas ao meu trabalho. Há, porém, uma que sustenta todas as outras: individualização. Cada mulher chega com um corpo, uma história e uma vida que pertencem somente a ela.
Trabalho, estudo e cuidado não ocupam lugares separados na minha trajetória.
Formam um mesmo compromisso com o outro.

A beleza de voltar a habitar a si mesma
Larissa Laurianno Brand Artist e Diretora Criativa
FÓRMA – Governança Estética e Curadoria de Legado
O Art Nouveau nos ensinou que uma linha não precisa ser reta para possuir direção. Ela pode curvar-se, florescer, transformar-se e ainda conservar a unidade que sustenta toda a obra.
Assim também acontece com a mulher. Cada fase desenha uma nova forma, mas nenhuma delas apaga a essência que veio antes.
Na história de Thaís, o conhecimento não nasceu distante da vida. Nasceu dentro de casa, diante das transformações de mulheres que amava. Depois atravessou seu próprio corpo, a maternidade, o trabalho e o desejo de oferecer a outras pessoas o cuidado que primeiro precisou compreender.
Talvez por isso sua medicina não observe apenas o ponto em que uma mulher está, mas tudo o que a trouxe até ali. Não se trata de devolvê-la a uma versão antiga de si. Trata-se de ajudá-la a reconhecer a mulher que está nascendo agora.
Há beleza nisso: descobrir que o corpo não nos abandona quando muda. Ele apenas pede uma nova linguagem, outro ritmo, uma escuta mais profunda.
Quando a medicina aprende a acompanhar esses movimentos com presença e precisão, a mulher deixa de lutar contra a própria transformação e volta a habitá-la por inteiro.
“Eu gosto de cuidar de gente.” — Thaís Mendes Serafim