Quem é o Pateta?

Compartilhar:

É possível manter a autenticidade, aprender com os próprios erros e, ainda assim, construir uma carreira sólida e respeitada no mundo corporativo.

É o personagem que erra na frente de todo mundo. Cai, levanta, tenta de novo, cai outra vez. Naqueles desenhos antigos de “Como jogar golfe”, “Como pescar”, ele topa qualquer coisa que claramente não sabe fazer e leva a sério do começo ao fim. Ninguém nunca o chamou de mais inteligente da turma. Mas repare numa coisa: ele é o único que nunca desiste, e é também o mais querido de todos.

No mundo corporativo tem muita gente com essa alma. Pessoas calorosas e autênticas, que não sabem fingir e que aproximam quem está por perto. E costuma existir uma ideia automática de que gente assim não vai longe, de que pra crescer é preciso apagar esse jeito e virar o executivo de sempre.

Aqui entra a parte que quase ninguém fala com honestidade. Ninguém sustenta uma carreira sendo cem por cento Pateta. O excesso de leveza sem entrega vira piada, e o “sim” fácil demais atrasa prazo atrás de prazo até a conta chegar. Espontaneidade sozinha não segura uma cadeira sênior.

Só que o outro extremo cobra o próprio preço. O profissional que apaga toda a naturalidade pra caber no molde do executivo perfeito vira aquela figura impecável de quem ninguém se aproxima. Passa uma imagem excelente e, mesmo assim, ninguém quer trabalhar com ele. Verniz demais também derruba carreira, só que de um jeito mais lento e mais difícil de enxergar.

O ponto está no meio, e ele é mais alcançável do que parece. Dá pra manter a essência do Pateta, o calor e a coragem de errar na frente dos outros, e ao mesmo tempo entregar consistência e cuidar da própria imagem no ambiente que exige isso. Uma coisa não anula a outra.

E é essa a boa notícia pra quem se reconhece nesse perfil: o caminho pro sucesso existe, e ele não passa por negar quem você é. O Pateta bem resolvido não vira outra pessoa pra subir. Ele aprende a colocar a mesma verdade dentro de uma forma que o mundo corporativo consegue ler. Continua sendo o mais querido da sala. Só que agora também é levado a sério.

O mercado premia quem entrega. As pessoas ficam com quem é de verdade. Quem consegue as duas coisas não precisou escolher, e costuma ser exatamente quem chega mais longe.

Fábio Salomon
Fábio Salomon
Fábio Salomon é Sócio e headhunter na BRAVA Legal Executive Search, Mentor de carreiras na Aliá Mentoring e host do podcast Café Com Sal. Atua há mais de duas décadas no recrutamento. É professor do ISE Business School, formado em Direito Pelo Mackenzie, Marketing pela FAAP e possui formação executiva internacional em Liderança e People Analytics por instituições como Babson College e The Wharton School of Business.

Artigos relacionados

Concessões de crédito livre sobem 6,7% em junho, aponta Banco Central

Desenrola melhora o presente, mas pressiona o futuro4:21Renegociação abre espaço para consumo novo e dívida nova. Crédito:...

ONU: idosos que não dominam esfera digital podem acabar excluídos

As tecnologias digitais estão a transformar como as sociedades funcionam, desde o acesso a serviços governamentais e cuidados...