Nova York já foi chamada de capital do mundo.
Mas, nesta véspera de final de Copa do Mundo, ela parece pertencer a outro país.
Caminhar por Manhattan é ouvir cantos argentinos em diferentes idiomas, ver bandeiras albicelestes pendendo de janelas, encontrar famílias inteiras vestidas de azul e branco e perceber que milhares de pessoas atravessaram continentes para estar aqui.

Amanhã, Argentina e Espanha disputarão a final.
Mas algo importante já aconteceu antes mesmo do apito inicial.
Os argentinos venceram uma batalha simbólica.
Transformaram uma partida de futebol em uma demonstração pública de identidade nacional.
E isso levanta uma pergunta incômoda para o Brasil:
O que aconteceu conosco?
Porque, durante décadas, a Seleção Brasileira foi um dos mais poderosos símbolos de pertencimento nacional já produzidos pelo país.
Ela fazia algo raro.
Em uma nação continental, desigual e diversa, conseguia fazer milhões de pessoas sentirem que compartilhavam a mesma história.
Hoje, porém, a sensação parece diferente.
A camisa continua famosa.
A marca continua poderosa.
Mas a conexão emocional parece menos intensa.
Menos espontânea.
Menos coletiva.

E talvez seja exatamente isso que as ruas tomadas por argentinos em Nova York estejam nos obrigando a perguntar:
Como um povo consegue preservar tão fortemente seus símbolos nacionais, mesmo em meio a crises econômicas e políticas, enquanto outro parece gradualmente se distanciar deles?
Essa não é uma pergunta sobre futebol.
É uma pergunta sobre identidade.
Sobre pertencimento.
E, sobretudo, sobre a capacidade de uma sociedade continuar acreditando em algo que a representa coletivamente.