Entenda o que é a PEC do fim da escala 6×1
Guia do Adulto Premium explica o que vc precisa saber sobre a PEC que foi aprovada e segue no Senado. Crédito: Roteiro: Larissa Burchard/Edição: Laís Nagayama/Videomaker: Felipe Pedro (Felps) Produção: Sara Helen
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou fôlego depois que o governo federal retirou a urgência sobre o Projeto de Lei (PL 1838/2026). Com isso, a proposta ganha tempo para tramitar no Congresso Nacional, permitindo uma avaliação mais aprofundada de seus impactos e desdobramentos, ainda que considere a pauta legítima sobre o aspecto da qualidade de vida do trabalhador.
Porém, não há como negar que se trata de uma grande transformação para um país com um cobertor tão curto. Muito se falou dos impactos financeiros e sobre os elevados custos de produção que a medida pode trazer. Mas chamo aqui a atenção para o apagão da mão de obra enfrentado por diversos setores, sobretudo no campo, que sofre há décadas com um intenso êxodo rural.
Segundo o último Censo Demográfico do IBGE, o campo perdeu 4,3 milhões de pessoas entre 2010 e 2022, levando a população urbana a representar 87,4% dos brasileiros. São pessoas que migram para a cidade não apenas em busca de melhores oportunidades de trabalho, mas também de acesso a serviços básicos, como saúde, educação e saneamento.

Vendramini: Setor agropecuário não é contrário à modernização das relações de trabalho, mas a mudança deve ser analisada caso a caso Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Por isso, reforço que o Brasil está debatendo a redistribuição da carga de trabalho sem enfrentar um problema ainda maior e cada vez mais grave, que é a falta de trabalhadores. Quem vai ocupar os postos de trabalho que estão vagos hoje? Quem ocupará as vagas que surgirão após a implementação da nova escala?
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Cálculos da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) mostram que será necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o que eles chamam de “vácuo operacional” que poderá gerar na agropecuária paranaense. Traduzindo isso em números, serão necessárias 107 mil novas contratações para manter o atual nível de produção do agro do Estado.
Sobre esse cenário recai o veto do governo federal ao Projeto de Lei (PL 715/2023), conhecido como PL dos Safristas. A proposta permitia a contratação formal de trabalhadores rurais temporários, garantindo vínculo empregatício sem que eles perdessem o acesso a programas sociais, como o Bolsa Família. O projeto, na minha opinião, cria oportunidades reais de trabalho no campo, além de representar uma alternativa de geração de renda, garantindo direitos trabalhistas e, ao mesmo tempo, a manutenção do benefício social.
É importante ressaltar que o setor agropecuário não é contrário à modernização das relações de trabalho, mas a mudança deve ser analisada caso a caso. É preciso respeitar a sazonalidade da atividade rural, com períodos específicos de plantio e colheita. O clima determina a janela certa de trabalho no campo. Temos ainda atividades ininterruptas, como a ordenha das vacas leiteiras. Portanto, modelos rígidos de jornada de trabalho não combinam com a realidade da atividade.
Os exemplos internacionais de redução da jornada de trabalho estão associados a países desenvolvidos e com forte investimento tecnológico. Sem dúvida, que esse será o caminho. A automação dos processos e a aplicação de tecnologia para que o setor se adapte a essa nova realidade da falta de mão de obra. Mas, para isso, também são necessários investimentos, crédito e segurança econômica. Algo ainda distante da realidade brasileira, especialmente para pequenos e médios produtores.
Fonte ONU