
Nova Iorque acolhe a Conferência do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, ODS 16. Este ano, o lema é “Impulsionar a transformação e a ação coordenada para o desenvolvimento sustentável”.
O evento é coorganizado pela Itália, pela Divisão para Instituições Públicas e Governo Digital do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU e a organização intergovernamental dedicada à promoção do Estado de Direito, Idlo.
Visão de inclusão para os próximos anos
A lista dos países avaliados inclui apenas dois de língua portuguesa: Moçambique e Timor-Leste; Antes da apresentação, o ministro moçambicano da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, partilhou com a ONU News a visão de inclusão para os próximos anos assente em três bases.
“Neste encontro, aqui nas Nações Unidas, trazemos a nossa abordagem e a experiência moçambicana no quadro dos esforços de cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, concretamente abordando as questões ligadas ao desenvolvimento sustentável, ligadas à paz e à justiça, mas também às questões de governação.”
O representante destacou as linhas de força que sustentam o crescimento previstos na Estratégia Nacional 2026-2044, uma visão na qual o país olha além das metas imediatas no fim desta década.
Resiliência ambiental
A primeira ação é a solidez financeira reestruturando a economia para garantir a sustentabilidade em longo prazo. A segunda é a adaptação ao clima ao integrar resiliência ambiental e resposta às mudanças climáticas no centro do planeamento.
Por fim, está a integração social para garantir que o crescimento económico se traduz em bem-estar real para a população, segundo Inocêncio Impissa.
O ministro mencionou o processo de diálogo nacional em curso que “foi desenhado para ser transversal e genuinamente participativo”.
“De facto, a consolidação da unidade nacional, que é um projeto grande no âmbito do diálogo nacional que está a ser feito, mas, acima de tudo, e como tem sido a linha geral do presidente da República para estes quatro anos que vêm, é a questão da criação das bases de desenvolvimento econômico para a independência econômica do nosso país, do Moçambique.”
Ministro mencionou o processo de diálogo nacional em curso que foi desenhado para ser transversal
O objetivo é garantir sociedade civil, comunidades e cidadãos sejam ouvidos. A premissa do ODS 16 de construir sociedades justas e inclusivas reflete-se na máxima assumida pelo ministério: em Moçambique, ninguém fica para trás.
O poder da lusofonia: cruzar línguas, unir nações
Com as celebrações dos 30 anos Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, no horizonte, o ministro Impissa defendeu uma ponderação sobre a identidade e a inclusão etnolinguística.
Para Moçambique, a riqueza reside na diversidade. O desafio e a beleza do futuro da lusofonia passam por encontrar o ponto de equilíbrio perfeito onde a língua portuguesa se cruza com idiomas nacionais e locais, sem que estas percam o seu espaço ou valor.
“É sempre bom rever e também trocar algumas impressões sobre o que é que nós pensamos sobre a África, sobre a lusofonia e ver como é que, naturalmente, podemos aprofundar as nossas relações de irmãos.”
O encontro em Nova Iorque serve também como palco para reforçar os laços de fraternidade com países como Angola e Cabo Verde, desenhando uma estratégia conjunta para o desenvolvimento de África e do espaço lusófono.
O ministro de Moçambique disse que o país reafirma o seu compromisso com uma governação moderna, inclusiva, resiliente e profundamente orgulhosa das suas raízes.
*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.
Fonte ONU